A parte ruim de crescer é ver seus amigos ficando pra trás. É insuportável permanecer na presença de crianças assim. Depois vêm ídolos, professores, pais e, finalmente, deuses. Não imaginávamos, no começo da escalada, a solidão do cume: é preciso aprender a olhar com outros olhos - a amar mais de longe - a tirar prazer da companhia de outras aves. E nunca, jamais: sentir vergonha de nossas asas.
21 de setembro de 2014
19 de setembro de 2014
Sexo, pensamento e temporalidade
Textos, principalmente as máximas e os aforismos, são ejaculações - vêm e vão em menos de trinta segundos. Mas quem já gozou sabe: duram anos e anos.
Propaganda eleitoral gratuita
Há, entre os que defendem nossa posição, quem a defenda por torpeza, tolice e até maldade. Isso não a torna -- nem torpe, nem tola, nem má. E mais: mesmo que nossa posição fosse torpe, tola ou má, disso não decorreria - não automaticamente - sermos nós mesmos torpes, tolos ou maus.
Mas quem tem tempo para tais distinções? Só temos trinta segundos. Só temos trinta segundos!
Só temos trinta segundos?
Criações nossas
Sobre algumas coisas é necessário falar, não porque existem e por isso urgem - mas porque urge fazê-las existir.
10 de setembro de 2014
Por falta de coragem
Brochar não é nada. Impotência mesmo é não ter conseguido dizer Eu te amo a tempo.
Todo amor é pra sempre
Na verdade, é provável que “para sempre” tenha sido inventado justamente para dar conta de responder a algum engraçadinho que resolveu perguntar: “Até quando vai o amor?”.
O amor vai pra sempre. Sempre.
nem todas as lágrimas nos pertencem
O amor faz com que a gente sinta o outro em nós. Faz com que a primeira pessoa do plural faça sentido. Sentimo-nos mais que um. Duas almas nos habitam o corpo. É bem terrível quando um amor morre. Mas poderia ser pior -
- ele poderia ter se suicidado.
16 de agosto de 2014
Mais nudez, por favor
Mesquinhez, sim!
Os argumentos, como os socos, têm na raiva seu melhor combustível. De nenhum filósofo a Paz é musa.
Perdendo a vergonha (de nossas cagadas)
Às vezes é preciso escrever maus textos. Grandes plantas nascem de terras adubadas com merda.
Antes quase-morto que semi-vivo!
Você já suou de tristeza?
Não subestimemos o esforço físico que é necessário para que nossa sensibilidade alcance os níveis elevados que lhe são próprios.
O apaixonado dorme como anjo, porque passa o dia cansado. Não há sistema imune que nos defenda de nossos afetos; somos, frente a eles, eternos enfermos.
O que a maioria não percebe é que a doença é desejável. O que não toleramos é a dor e a falta de controle.
Mas não são a dor e a falta de controle –- componentes do amor?
Sim. O amor é uma doença.
10 de agosto de 2014
Caminhos tortos são mais arborizados – as árvores os entortaram!
21 de julho de 2014
Nós, da tribo Osqueapesarde
Só sente verdadeiro medo diante das regras quem acredita que elas têm verdadeiro poder.
Mas o poder das regras é pequeno e limitado – pequeno e limitado é o medo que devemos sentir diante delas.
13 de junho de 2014
Canto solitário
25 de março de 2014
Seres sobrecorporais
Por que os filósofos sofrem tanto? Sua potência e saúde operam de maneira muito específica – no pensamento. E sobre a maioria das coisas não podemos pensar. Isso significa que, sobre a maioria das coisas, os filósofos sofrem.
Por sorte, as coisas sobre as quais não pensamos, fazem-nos pensar.
E as coisas que pensamos, fazem-nos sobrepensar.
22 de março de 2014
21 de março de 2014
Álbum de Fotos
‘O legal de ter fotos suas’, disseram-me uma vez, ‘é poder ver o quanto você mudou com o tempo’. Enquanto que eu não consigo discordar disso, a verdade é que a quantidade de fotos em que eu apareço não aumentou significativamente nos últimos tempos. Encontrei, no entanto, uma ferramenta muito mais adequada para medir, com todos os prazeres e desprazeres aí acarretados, os efeitos do tempo sobre mim. Bem-vindos ao meu blog. O mais preciso dos álbuns de fotos que eu poderia ter. De fato, ao reler meus textos antigos, não raro eu percebo, aqui e ali, umas gordurinhas extras, um afinamento do nariz, uma mudança de postura, um endireitar das pernas, uma ritmização dos movimentos, um choro enfeiante, um sorriso sexy, uma época bem vestido, outra em que eu corro como esportista, o meu pênis crescendo, o meu cabelo pendulando ora enorme ora curto demais, meu peito se abrindo, minhas unhas se afiando, meus pés ganhando calos, minhas mãos se cansando da letra cursiva, um intestino feliz, uma semana vegetariana, o efeito dos cremes anti-espinha, o meu primeiro (e o meu segundo) porre, a minha adolescência chegando e depois indo embora… Creio, enfim, não haver sequer um atributo físico meu que não possa ser inferido de meus textos.
10 de fevereiro de 2014
Após o luto
Ele não foi o primeiro e não será o último. É tempo de dar solidez à nossa atuação política. É tempo de tomar decisões difíceis. É tempo de organizar a revolta interna e investir energia em projetos, bandeiras e pautas. A todos nós, que julgamos o Brasil morto, adormecido, doente - que julgamos a classe política morta, adormecida, doente - que julgamos os nossos valores mortos, adormecidos, doentes - que julgamos nosso futuro morto, adormecido, doente ---- É tempo de sair do luto, e dar início a uma vida nova.
31 de dezembro de 2013
Quanto menos pragmático, maior
Há grandeza no homem que escolhe o que é certo em vez de o que é melhor.
11 de dezembro de 2013
O valor de um espírito e o significado de uma barriga
A banha nos teus bolsos fede a sangue de anjo.