13 de junho de 2014
Canto solitário
25 de março de 2014
Seres sobrecorporais
Por que os filósofos sofrem tanto? Sua potência e saúde operam de maneira muito específica – no pensamento. E sobre a maioria das coisas não podemos pensar. Isso significa que, sobre a maioria das coisas, os filósofos sofrem.
Por sorte, as coisas sobre as quais não pensamos, fazem-nos pensar.
E as coisas que pensamos, fazem-nos sobrepensar.
22 de março de 2014
21 de março de 2014
Álbum de Fotos
‘O legal de ter fotos suas’, disseram-me uma vez, ‘é poder ver o quanto você mudou com o tempo’. Enquanto que eu não consigo discordar disso, a verdade é que a quantidade de fotos em que eu apareço não aumentou significativamente nos últimos tempos. Encontrei, no entanto, uma ferramenta muito mais adequada para medir, com todos os prazeres e desprazeres aí acarretados, os efeitos do tempo sobre mim. Bem-vindos ao meu blog. O mais preciso dos álbuns de fotos que eu poderia ter. De fato, ao reler meus textos antigos, não raro eu percebo, aqui e ali, umas gordurinhas extras, um afinamento do nariz, uma mudança de postura, um endireitar das pernas, uma ritmização dos movimentos, um choro enfeiante, um sorriso sexy, uma época bem vestido, outra em que eu corro como esportista, o meu pênis crescendo, o meu cabelo pendulando ora enorme ora curto demais, meu peito se abrindo, minhas unhas se afiando, meus pés ganhando calos, minhas mãos se cansando da letra cursiva, um intestino feliz, uma semana vegetariana, o efeito dos cremes anti-espinha, o meu primeiro (e o meu segundo) porre, a minha adolescência chegando e depois indo embora… Creio, enfim, não haver sequer um atributo físico meu que não possa ser inferido de meus textos.
10 de fevereiro de 2014
Após o luto
Ele não foi o primeiro e não será o último. É tempo de dar solidez à nossa atuação política. É tempo de tomar decisões difíceis. É tempo de organizar a revolta interna e investir energia em projetos, bandeiras e pautas. A todos nós, que julgamos o Brasil morto, adormecido, doente - que julgamos a classe política morta, adormecida, doente - que julgamos os nossos valores mortos, adormecidos, doentes - que julgamos nosso futuro morto, adormecido, doente ---- É tempo de sair do luto, e dar início a uma vida nova.
31 de dezembro de 2013
Quanto menos pragmático, maior
Há grandeza no homem que escolhe o que é certo em vez de o que é melhor.
11 de dezembro de 2013
O valor de um espírito e o significado de uma barriga
A banha nos teus bolsos fede a sangue de anjo.
3 de outubro de 2013
Força
Você não confiaria num policial com arma de brinquedo, nem num cirurgião com faca de manteiga. Precisamos de pistolas e de bisturis.
Diga-me: o que pode um escritor cuja língua não é afiada? De que vai te salvar a escrita que não tem o poder de te matar? Não somos inofensivos e por isso não somos impotentes. Somos capazes de ferir, somos capazes de fazer sofrer, somos capazes de sufocar.
Mas você continua querendo uma medicina que não corta; uma ordem sem imperativos; sexo sem penetração; educação sem invasão; arte sem dor; poesia sem sangue; vida sem morte.
Não somos vegetais, meu bem.