24 de maio de 2015
21 de maio de 2015
17 de maio de 2015
Lição para quando nos impotencermos
Mesmo um torturando tem poder, se for ainda capaz de rir-se de seus algozes.
Ineficiência intra-orgânica
Aquele ali não voa, apesar de esbeltamente alado. Ocorre lhe faltarem pernas, sem as quais o seu furioso bater de asas não é senão um desengonçado arrastar-se na lama.
13 de maio de 2015
12 de maio de 2015
Sabotagem
Nossos sentimentos são soberanos. Se os quisermos depôr, será preciso mais que um pouco de anarquia.
10 de maio de 2015
Saborosamente definicional
Pode um compêndio lexical ser pedaço de literatura? Pois que tenhais duas definições, tão incompletas quanto incompatíveis, distantes entre si como a barba marrom de um homem é de sua fidelidade amorosa:
Um livro é um esforco de coerência.
Opressão é vetor de violencia sistêmica.
Todo homem é um dicionário.
5 de maio de 2015
Meia dúzia
4 de maio de 2015
27 de abril de 2015
16 de abril de 2015
27 de março de 2015
Contra os cientistas de helicóptero!
Sobre o mar conhece mais quem em suas águas mergulhou uma única vez do que aquele que todo dia as sobrevoa.
24 de março de 2015
Avante!
Todos os que na vida já quiseram voltar atrás sabem o que é covardia filosófica: o medo de pensar a partir do presente.
23 de março de 2015
"Post hoc ergo propter hoc"
Khrónos é o mais vaidoso dos gregos: de todas as causas assume a paternidade. Chegou até a aprender latim, para figurar nos grandes livros de filosofia.
Não lhes dêmos ouvidos: a natureza é muito mais sutil e misteriosa do que esse gigante ultrapassado nos faz crer. Gaia, afinal, é uma mulher.
6 de março de 2015
A última fronteira do conhecimento
Em comparação com outros empreendimentos intelectuais — digamos, mapear a genealogia de uma montanha ou rastrear os ricochetes subatômicos de uma explosão nuclear —, amar uma mulher traz as mais maravilhosas recompensas e as mais miseráveis punições. De fato, o cientista que sobrevive a uma paixão dificilmente volta a encontrar desafio ou felicidade em sua carreira: sente ele que os maiores buracos negros já se explodiram, as maiores pontes já se atravessou, a vida mais morta já se ressuscitou. Nada lhe parece digno de sua energia ou capacidade, nada na natureza o espanta, nenhum mistério lhe provoca sequer faisca de curiosidade.
Nada, isto é, senão sua solidão.
11 de fevereiro de 2015
Nossas maiores prisões, construímo-las nós
Em nenhuma outra circunstância as pegadas da deliberação e intencionalidade são tão bem escondidas quanto no início de uma paixão. Conforme a paixão míngüa e a energia mantenedora desse escondimento se dissipa, o apaixonado, agora mais velho e mais maduro, sente-se traído quando começa a descobrir essas pegadas, quando começa a descobrir que fora tudo um plano — seu plano.