Ficamos como que surdos a nossa própria música. De que modo podemos convalescer, se de nós mesmos abrimos mão? Médico nenhum cura quem da vida já desistiu. Como Ludwig, como Sewerin, devemos compôr não com nossos ouvidos, não com nossos dedos — mas com nossos corações. Que a poesia em nosso interior nos aqueça, luz em meio à escuridão. Luz que esmorece, gota a gota. Veneno que mata devagar. Deixa-me no escuro. Aqui no escuro, onde a vida cai.
20 de novembro de 2020
4 de novembro de 2020
Tripla paráfrase
3 de novembro de 2020
16 de abril de 2020
Ar fresco
O ar, é claro, sempre esteve aí. Nós é que às vezes nos esquecemos de balançar.
18 de junho de 2019
Jejuar
Cuidado para não saciar a fome rápido demais. Para certos valores, é preciso cultivar vazios.
Pobreza adulta
Sobrevivi a tantos corações partidos.
Talvez, se a coragem de ser triste
não me tivesse abandonado,
eu podia fazer poema dessa chuva
Em vez de ficar todo molhado.
Não mais adolescente
Talvez, debaixo de toda essa ansiedade, haja tristeza encubada e medrosa, como criança que se esconde debaixo das cobertas.
Talvez houvesse alegria.
6 de fevereiro de 2019
Uma vida menos agüada que aterrada
Como golfinhos ao avesso, acessamos periodicamente nossas cavernas para respirar. A terra, nossa guardiã ancestral, provê-nos o sal com que tornamos palatável a vida infra-marina.
Deve-se tentar
O esforço não deve ser proporcional à dificuldade da tarefa, mas ao medo que dela sentimos. Não é ofegância que a vida pede, mas coragem.
Para as calorias do intelecto, outras fontes
Não sobredose as palavras. Nada contra os livros, mas com frequência elas são senão tempero para o sapere da vida.
Para o otimismo
Tanta vã energia se mal investe que é de espantar que reste-a para o que quer que seja. E pur si ama.
Lembrete sobre as primazias
Não superestime a importância do descanso. Foque-se primeiro em cansar-se com qualidade.
18 de janeiro de 2019
Seres urobóricos
As maiores dificuldades são sempre auto-infligidas. O consolo é que as maiores forças também.