27 de abril de 2015
16 de abril de 2015
27 de março de 2015
Contra os cientistas de helicóptero!
Sobre o mar conhece mais quem em suas águas mergulhou uma única vez do que aquele que todo dia as sobrevoa.
24 de março de 2015
Avante!
Todos os que na vida já quiseram voltar atrás sabem o que é covardia filosófica: o medo de pensar a partir do presente.
23 de março de 2015
"Post hoc ergo propter hoc"
Khrónos é o mais vaidoso dos gregos: de todas as causas assume a paternidade. Chegou até a aprender latim, para figurar nos grandes livros de filosofia.
Não lhes dêmos ouvidos: a natureza é muito mais sutil e misteriosa do que esse gigante ultrapassado nos faz crer. Gaia, afinal, é uma mulher.
6 de março de 2015
A última fronteira do conhecimento
Em comparação com outros empreendimentos intelectuais — digamos, mapear a genealogia de uma montanha ou rastrear os ricochetes subatômicos de uma explosão nuclear —, amar uma mulher traz as mais maravilhosas recompensas e as mais miseráveis punições. De fato, o cientista que sobrevive a uma paixão dificilmente volta a encontrar desafio ou felicidade em sua carreira: sente ele que os maiores buracos negros já se explodiram, as maiores pontes já se atravessou, a vida mais morta já se ressuscitou. Nada lhe parece digno de sua energia ou capacidade, nada na natureza o espanta, nenhum mistério lhe provoca sequer faisca de curiosidade.
Nada, isto é, senão sua solidão.
11 de fevereiro de 2015
Nossas maiores prisões, construímo-las nós
Em nenhuma outra circunstância as pegadas da deliberação e intencionalidade são tão bem escondidas quanto no início de uma paixão. Conforme a paixão míngüa e a energia mantenedora desse escondimento se dissipa, o apaixonado, agora mais velho e mais maduro, sente-se traído quando começa a descobrir essas pegadas, quando começa a descobrir que fora tudo um plano — seu plano.
10 de fevereiro de 2015
Como bons filhos de Heráclio
As pessoas que éramos no passado não têm nenhuma responsabilidade sobre quem somos hoje: elas não nos "criaram" nem "pariram", elas não nos fizeram nada! Nós que lhes fizemos algo: nós as matamos! Somos carrascos, não filhos. Ou será isso que significa -- ser filho?
9 de fevereiro de 2015
Romantismo de bobeira
Imprudência, não honra
17 de dezembro de 2014
28 de novembro de 2014
A cada vez mais gay
Engana-se quem pensa que sair do armário é um acontecimento único na vida. Como se só houvesse um armário nos aprisionando. Sempre há alegrias maiores a sentir; sempre há armários maiores dos quais se libertar.
27 de novembro de 2014
Para o auto-conhecimento uma epistemologia mais sutil
Não se vence força inconsciente com montanhas de intencionalidade e deliberação. Precisamos de idiomas menos grosseiros para conversar com nossas entranhas.
26 de novembro de 2014
Onde ainda acreditamos em deuses
As idéias, para que sobrevivam, não basta serem boas.
Argumentar a favor da validade de uma idéia com base no fato de que ela continua ganhando adeptos e sendo repensada de novo e de novo -- é tao místico quanto acreditar que as pessoas boas têm mais chances de sobreviver que as outras, e tão idiota quanto achar que a sobrevivência das pessoas é indicativo da sua bondade.
Eu e você não acreditamos sequer numa justiça cósmica, divina - que dirá numa justiça humana! que dirá numa justiça filosófica!
Boas idéias morrem com a mesma frequência - e com a mesma sem-cerimônia - com que morrem boas pessoas. Quem quiser pensar faz bem em acostumar-se ao luto.
22 de novembro de 2014
23 de outubro de 2014
Amor parteiro
O caminho para entender um homem é sempre torto e desagradável, porque sobre suas complexidades recai um grosso véu acinzentado. Ao contrário das mulheres, cuja nudez até um cego pode ver, os homens exigem veemente intencionalidade: a nudez do homem não o habita naturalmente - precisa ser parida.