1 de outubro de 2009

(Rascunho) Friedrich (IV) - Trecho de Diário #1

Hoje, tendo achado um momento de paz dentro de tantas outras turbulências, permito-me o luxo de escrever. Pude pensar – e embora não uma tese deveras complicada ou difícil, é-me prazeroso escrevê-la nem que apenas para tê-la por registro de que a minha mente não morreu.

Também, escrever do modo como aqui pretendo lembra-me os tempos de Universidade… Uma gostosa nostalgia dentre tantas memórias contaminadas.

Aos pensamentos, pois:

É claro que, embora pensante, não me livro completamente da parte mais negra de mim, por assim dizê-lo. São precisamente as angústias, minhas, de que falarei.

Sei bem que todas elas - por mais que concentrem-se no campo mental, psicológico, pensamentoso - têm reflexos no corpo. A partir daí, distingui-as basicamente entre dois tipos.

Há aquelas, mais comuns, que aparecem-me como mera e genérica “dor de cabeça”; e outras, muito mais intensas e pesadas - tanto mais raras! -, que se mostram principalmente no coração e na caixa torássica que o envolve (por vezes comprimindo o diafragma e destruindo momentaneamente a minha capacidade respiratória). Haja fé na frieza matemática nessas horas!: só ela me proporciona algum conforto.

Não obstante o meu diploma – que valem eles aqui, afinal? – é desnecessário ser um doutor para que alguns detalhes se notem. O segundo tipo de angústia quase sempre possui uma ligação com um sentimento afetuoso, para com outro ser humano, geralmente um parente, ou de importância equiparável. Já notei pelo menos dois momentos em que pensei em minha mãe ou em Nicole, antes de um tal ‘espasmo angustioso’.

Já o primeiro poderia, por outro lado, ser causado por mero devaneio intelectual, estando a cura presa tão-somente ao intelecto; mais de uma vez se deu depois de uma falta de fé religiosa (algo freqüente num ambiente tão sem-Deus quanto o em que eu agora me encontro), ou um desafio à minha autoridade enquanto patente. Tão logo recomponho minhas convicções, a dor se esvai – como disse, tão unicamente uma angústia intelectual. Nos casos que citei, prováveis frutos da frouxidão de minha infância.

Tenho que ir, uma briga entre dois novatos me requer. Ridículos garotos acéfalos – nenhum jamais há de me proporcionar um diálogo que chegue aos pés do que eu mantenho nesse caderno!

Argh. Sôo louco…

F. Grundberg
19.05.43

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