10 de outubro de 2015

Canção de vida e morte

Nós, espíritos primaverais, temos muito o que aprender com nossas amigas flores. Não tanto a abrir, pois a isso somos todos naturalmente inclinados, mas sobretudo a fechar — com leve e graciosa indiferença, não por não ser terrível o destino de quem nunca mais abre (é), mas pela calma de saber que abrir não é uma escolha. Nossa maior neurose não é a de querer pôr fim aos sofrimentos, mas a de querer dar início às potências. Quanto mais romântico, nesse sentido, tanto mais doente.

Não somos nós os autores de nossos prazeres. Nossas mais belas composições são menos atos de canalização de força do que de permeabilização ao que nos é externo. Aqui, como em todo lugar, assombra-nos o espectro do indivíduo. Pura ilusão. Na natureza não há indivíduos; no máximo, há contornos.

Querer menos, desejar mais. Diminuir o atrito interno. Hibernar com devoção, entregar-se à incerteza.

Quantos conselhos em linguagem de esfinge não deixaremos para o futuro? De nós esperamos apenas que cresçamos. As maiores notas de suicídio foram as que nossos eus do passado deixaram para nós — nós, herdeiros; eles, mártires. Continuamente morremos ao parir a nós mesmos. A cada dia um novo sol nos espera. Muitas auroras ainda estão por vir, e serão nossas alegrias que as desfrutarão, sentadas na praia ou no topo da montanha. Nossas tristezas e nosso cansaço pertencem ao eclipse vindouro: cairão, enfim, em desgosto. 

Morreremos ainda cem mil vezes, e tantas vezes mais renasceremos. A fênix que em nós faz lar brilha sempre mais forte, e a cada morte se incandesce ainda mais. O que não mata, fortalece? Precisamente a morte — a nossa morte! — torna-nos mais fortes, torna-nos quem somos. Essa dualidade de si — de sermos ao mesmo tempo filhos e pais de nós mesmos, ao mesmo tempo fetos nascituros e idosos suicidas — explica a variância estilística na prosa e o diálogo interno na filosofia. Somos dois. Um a morrer, outro a nascer.

Com que caneta escreveremos o futuro? Com que braços ninaremos nossas crianças? Com quantas poesias se ganha uma guerra?

Temos muito o que aprender com nossas amigas flores.

3 de outubro de 2015

A mais potente fé

A razão é o maior mito que a humanidade já inventou.

1 de outubro de 2015

Por amor ao mundo

De todas as artes o teatro é a mais dada ao choro. Nele a solidão é impossível, pois mesmo o espectador solitário se confronta com a carne-e-osso no palco à frente. A poesia, ao contrário, permite e até encoraja a solidão, e por isso exige uma música interna adequada, um silêncio mental cavernoso, capaz de ecoar as rimas e de dar profundidade aos sons. O teatro não. No teatro, a caverna se impõe de fora pra dentro, destrói os barulhos internos, impera autoritária sobre qualquer que seja o concerto dos órgãos, rouba-lhes as batidas ruidosas para em seu lugar colocar gloriosas cordas de harpa — com as quais os anjos-atriz produzirão celestial melodia. 

Assim foi meu encontro hoje com Hannah. Um confronto lacrimejoso, entristecido; sobretudo desentorpecido. Não havia dorflex que me impedisse de, olhando-a nos olhos, sentir-lhe a companhia. Ela, mulher, amante, pensadora, atriz, judia, filósofa, musa, singela. Atacava-me com as palavras, furando minha tristeza, alimentando-me de humanidade. Nunca fui tão judeu quanto defronte dela. Tornou-me homem ela, pegou-me pelo braço e me ensinou a coragem que dormia em mim, sempre dormiu. Não há monstros nos outros, ela diz, em franca oposição aos corações de todos em sua volta. Nossos monstros são nossas mediocridades. Nossas banalidades, nossas fraquezas. Um grito de vida e de esperança procurando —não: exigindo! — grandeza. Nossa grandeza. 

Com a pequenez da minha hombridade judia contrastava a grandiosidade da estória do meu povo. Não, não o meu povo judeu, que nunca me pertenceu nem me deixou pertencer. O povo-verdade, povo ensimesmado, povo vivo. Sorriso de criança. De amor e de esperança a terra se adensa. Nosso sofrimento é nosso adubo. Nossas artes, nossas folhas. Por que o teatro faz tanto chorar? Porque, embora não sejamos todos poetas nem músicos, somos todos atores no palco da vida. E a amizade de que tanto carecemos não é senão sorriso de atriz. Ela, que chora com o teu choro, te ama como às estrelas os gregos. Fazer teatro é fazer do próprio corpo um grande ombro no qual os homens chorem. O teatro é uma mulher! Seu nome é Hannah e a ela não podemos senão amar.

Arquitetura do afeto

De boas memórias os lugares se tornam confortáveis.

29 de setembro de 2015

A fraqueza dos homens

O que nos aflige no sexo não é o sexo, mas a sombra do amor.

28 de setembro de 2015

Amor-poema em língua estrangeira

Às vezes a beleza de um amor não está nos significados das palavras, mas nos sons que suas rimas produzem. Nesses casos, é comum que o poema seja tanto mais belo quanto menos se o compreende.

Porque, se parardes pra pensar, sois

Amai como se fôsseis fogo: com cor, brilho e barulho!

Sonecas do espírito

Que o descanso te cure das impotências —— e vice-versa!

As marcas nas nossas paredes

É um fato inconveniente que nossas opiniões, em sua maioria, sejam formadas em grupo. Nossa época carece de histórias opiniantes mais íntimas, e portanto mais individuais, para fazer frente a esse indecente mimetismo. Teríamos muito a ganhar com recorrentes décadas sabáticas na caverna — só assim poderão nossas pinturas rupestres ganhar a vermelhidão profunda que caracteriza os conhecimentos de sangue. Até lá, nossa ciência permanecerá neandertal.

Na dor, mas não pela dor

Algumas potências se escondem em arbustos espinhosos. Não devemos, por causa disso, amar os espinhos.

Duas paixões do encontro

Às vezes encontramos na do outro ecos da nossa própria voz. Disso pode resultar encanto soberano ou desprezo asqueroso. Não espanta, então, que o artista relate alegrar-se. E o burocrata, ofender-se.

Amigo metereólogo

Na vida dos outros, há vezes em que somos brisa. Noutras, vendaval.

Parindo adultos

Nem todo leão esconde atrás de si uma criança. A nós, cirurgiões da alma, cabe abrir-lhes a barriga e descobrir. Não à toa nos pagam tanto: o risco é alto, mas, quando bem sucedida a operação, o paciente sai outra pessoa.

Educação religiosa

É sempre melhor dialogar com si mesmo do que recriminar-se. Somos, afinal, nossos próprios filhos.

Em adição às potências anteriores, não substituição

No reino do não, aprende-se o sim almejando liberdade — evitemos novas ditaduras, de onde quer que venham. 

Novos mundos exigem novas defesas

Quem foi criado na privação precisa ter muito cuidado com a abundância. Falta-lhes a melanina com que se filtra as alegrias solares —; entre os albinos de afeto, qualquer carinho pode se tornar queimadura.

18 de setembro de 2015

Ofender-se é humano

Nada é ofensivo aos olhos de Deus.

29 de julho de 2015

Sofrimentos são hiatos vacinantes

Mais raro que uma boa solidão — só uma boa companhia.

13 de julho de 2015

Engenheiros-andarilhos

Criar pontes — e atravessá-las.

12 de julho de 2015

O princípio da educação

Tomar decisões corretas não basta. É preciso criar sistemas que tomem decisões cada vez mais corretas com o tempo.

25 de junho de 2015

16 de junho de 2015

Previsão dos tempos

A raiva bem gritada é virtuosa. Esvai-se, como tudo o mais que é vivo e pulsante, ao atingir seu fim. A raiva, como o gozo, só adoece quando contida — e mal contida. Pois para a vida nunca há contenção de fato, apenas adoecimento. O não direcionamento da raiva é antes um mal direcionamento. A raiva não gritada é antes mal gritada. E a tragédia é termos sido, para a raiva, educados nos mais castrantes seminários! De nosso celibato cavernoso medram nuvens de cinismo! Para expôr ao sol o coração, é preciso abrir o peito — rasgá-lo! — e aí não temos senão dentes e garras.

Casamento (arranjado) de conceitos

Para os que, como nós, sofrem de ansiar demais, é questão de bom senso cultivar uma modesta indiferença às nossas ansiedades.

15 de junho de 2015

É possível ser feliz na chuva?

Sim, mas para isso é preciso abrir mão da secura. Recomenda-se, para acelerar a adaptação, banhar-se de poesia.

Saudável (no) ócio

Às vezes é preciso amar antes da hora. Amar o que não se conhece, o que ainda não veio, o que pra sempre está no futuro. Para isso é preciso muita força e saúde. Mas a recompensa é grande: o próprio amor. Porque o amor sempre volta.

8 de junho de 2015

Péssimo ator

Não sabe sorrir, chora com os dentes.

4 de junho de 2015

Navegar é preciso, desprazer não é preciso

É fundamental ter mecanismos para tirar prazer da tristeza e da solidão.

3 de junho de 2015

Todos os nãos o não

O dia mais triste da minha vida foi quando me despedi do meu amor... e não chorei.

24 de maio de 2015

Feixe de universais

Nem só de palavras são feitas poesias.

21 de maio de 2015

17 de maio de 2015

Lição para quando nos impotencermos

Mesmo um torturando tem poder, se for ainda capaz de rir-se de seus algozes.

Ineficiência intra-orgânica

Aquele ali não voa, apesar de esbeltamente alado. Ocorre lhe faltarem pernas, sem as quais o seu furioso bater de asas não é senão um desengonçado arrastar-se na lama.

Imperativo dos imperativos

Encontrai força lá onde é mais escuro: em vossa solidão.

13 de maio de 2015

Adequação ao uso

Um molotov de aguardente queima tanto quanto um de bordeaux.

12 de maio de 2015

Sabotagem

Nossos sentimentos são soberanos. Se os quisermos depôr, será preciso mais que um pouco de anarquia.

10 de maio de 2015

Saborosamente definicional

Pode um compêndio lexical ser pedaço de literatura? Pois que tenhais duas definições, tão incompletas quanto incompatíveis, distantes entre si como a barba marrom de um homem é de sua fidelidade amorosa:

Um livro é um esforco de coerência.
Opressão é vetor de violencia sistêmica.

Todo homem é um dicionário.

5 de maio de 2015

Meia dúzia

O que fazer quando longas covardias são detectadas? 

Não se pode fazer muito. Meia dúzia de decisões artificiais com resultado previsível devem bastar. Uma dieta, uma ginástica, um exercício respiratório, uma música, um banho e um cochilo. 

Não se pode fazer muito. Meia dúzia de reflexões nostálgicas sobre a sabedoria do passado devem bastar. Uma carta, uma composição musical, um sonho, um livro, um cheiro e uma caminhada.

Não se pode fazer muito. Meia dúzia de textos curtos de média qualidade devem bastar. Um poema de amor, uma crônica de solidão, uma máxima de filosofia, um imperativo de ética, uma linha de diário e uma anotação de sonho. 

Não se pode fazer muito. Meia dúzia de olhares sinceros na direção do sol devem bastar. Para frente, para frente, para frente, para frente, para frente e para dentro. 

Não se pode fazer muito.

4 de maio de 2015

Outra obviedade a posteriori

Nem tudo que se faz por amor é amável.

27 de abril de 2015

Cola de maresia para os pacientes alegres

Fato importante sobre as esperas: acabam. 

16 de abril de 2015

Prece

Que do cansaço nasça o vigor assim como da tristeza a poesia.

27 de março de 2015

Contra os cientistas de helicóptero!

Sobre o mar conhece mais quem em suas águas mergulhou uma única vez do que aquele que todo dia as sobrevoa.

24 de março de 2015

Avante!

Todos os que na vida já quiseram voltar atrás sabem o que é covardia filosófica: o medo de pensar a partir do presente.

23 de março de 2015

"Post hoc ergo propter hoc"

Khrónos é o mais vaidoso dos gregos: de todas as causas assume a paternidade. Chegou até a aprender latim, para figurar nos grandes livros de filosofia.

Não lhes dêmos ouvidos: a natureza é muito mais sutil e misteriosa do que esse gigante ultrapassado nos faz crer. Gaia, afinal, é uma mulher.

Sorrindo nos momentos inapropriados

Às vezes a saúde precisa de um empurrãozinho.

6 de março de 2015

A última fronteira do conhecimento

Em comparação com outros empreendimentos intelectuais — digamos, mapear a genealogia de uma montanha ou rastrear os ricochetes subatômicos de uma explosão nuclear —, amar uma mulher traz as mais maravilhosas recompensas e as mais miseráveis punições. De fato, o cientista que sobrevive a uma paixão dificilmente volta a encontrar desafio ou felicidade em sua carreira: sente ele que os maiores buracos negros já se explodiram, as maiores pontes já se atravessou, a vida mais morta já se ressuscitou. Nada lhe parece digno de sua energia ou capacidade, nada na natureza o espanta, nenhum mistério lhe provoca sequer faisca de curiosidade.

Nada, isto é, senão sua solidão.

Dêem ouvidos ao ex-deprimido!

É plenamente possível ser medíocre sem a ajuda de remédios.

11 de fevereiro de 2015

Nossas maiores prisões, construímo-las nós

Em nenhuma outra circunstância as pegadas da deliberação e intencionalidade são tão bem escondidas quanto no início de uma paixão. Conforme a paixão míngüa e a energia mantenedora desse escondimento se dissipa, o apaixonado, agora mais velho e mais maduro, sente-se traído quando começa a descobrir essas pegadas, quando começa a descobrir que fora tudo um plano — seu plano.

10 de fevereiro de 2015

Humanos e suas contraições

Das maiores mentiras a fidelidade é mãe.

Como bons filhos de Heráclio

As pessoas que éramos no passado não têm nenhuma responsabilidade sobre quem somos hoje: elas não nos "criaram" nem "pariram", elas não nos fizeram nada! Nós que lhes fizemos algo: nós as matamos! Somos carrascos, não filhos. Ou será isso que significa -- ser filho?

O passado é feito de cadáveres

O único verbo para a saudade é morrer.

9 de fevereiro de 2015

Romantismo de bobeira

O sangue de uma picada de mosquito é tão vermelho quanto o de um corte de espada.

Imprudência, não honra

O escritor que não protege o coração é como um costureiro sem dedal: machucar-se é questão de tempo. 

17 de dezembro de 2014

Viviolência

Viver é traçar linhas de areia no cosmos.

28 de novembro de 2014

A cada vez mais gay

Engana-se quem pensa que sair do armário é um acontecimento único na vida. Como se só houvesse um armário nos aprisionando. Sempre há alegrias maiores a sentir; sempre há armários maiores dos quais se libertar.

27 de novembro de 2014

Para o auto-conhecimento uma epistemologia mais sutil

Não se vence força inconsciente com montanhas de intencionalidade e deliberação. Precisamos de idiomas menos grosseiros para conversar com nossas entranhas.

26 de novembro de 2014

Onde ainda acreditamos em deuses

As idéias, para que sobrevivam, não basta serem boas.

Argumentar a favor da validade de uma idéia com base no fato de que ela continua ganhando adeptos e sendo repensada de novo e de novo -- é tao místico quanto acreditar que as pessoas boas têm mais chances de sobreviver que as outras, e tão idiota quanto achar que a sobrevivência das pessoas é indicativo da sua bondade.

Eu e você não acreditamos sequer numa justiça cósmica, divina - que dirá numa justiça humana! que dirá numa justiça filosófica!

Boas idéias morrem com a mesma frequência - e com a mesma sem-cerimônia - com que morrem boas pessoas. Quem quiser pensar faz bem em acostumar-se ao luto.

22 de novembro de 2014

De si a trilha sonora

Em alguns, os sentimentos se sentem;
noutros, se invocam.

23 de outubro de 2014

Amor parteiro

O caminho para entender um homem é sempre torto e desagradável, porque sobre suas complexidades recai um grosso véu acinzentado. Ao contrário das mulheres, cuja nudez até um cego pode ver, os homens exigem veemente intencionalidade: a nudez do homem não o habita naturalmente - precisa ser parida.

4 de outubro de 2014

Não confundir amizade com política

O prazer que você tira das conversas com esse amigo - - depende de vocês concordarem?

2 de outubro de 2014

Metáfora feminista

A mulher que decepa o pênis de um homem - - não é uma mulher. É um homem travestido.

1 de outubro de 2014

Nossa dívida para com o evangelho

O que seria do Rock, se não fosse o gospel? -

30 de setembro de 2014

Des-conto erótico

A prosa tem algo de explícito que a poesia normalmente esconde. Poeta fica horas encaixando sílaba, procurando rima, testando novas ordens de palavras, torcendo a gramática, inclusive fingindo beleza!, mascarando, pintando – não muito diferente de como as mulheres se pintam e cobrem, fantasiam, dançam, escondem e revelam.

A prosa, não. É mais masculina, mais direta, mais nua. Muitas vezes mais indecente e ríspida, insensível, boba, ingênua.  A prosa ou te penetra ou não: é isso e acabou. A poesia, não. A poesia é uma mulher, nunca dá pra saber o que ela achou, o que ela quer de você, de quem ela gosta. Faz mistério, finge, embaralha, confunde, seduz.

Fale de sexo com um poeta e ele logo muda de assunto: vai falar de pescoço, de unha, de coxa, de olhar, de cantada, de feeling, de peeling, de perfume, de gozo, de gemido, de toque, de mão, de cama, de noite, de quatro.

Com um prosador, nada há do que falar: ou se penetra ou não. As margens são claras. Não é não. Nada de surpresas. Nada de invasões. Respeito é bom e eu gosto. Respeito ao corpo, ao indivíduo, à escolha, à ordem direta das palavras, ao sujeito-e-predicado, à conotação. (O prosador – tão prosaico é! – não sabe que o sexo é metáfora.)

O que pouca gente sabe é que, quando chega à noite, a Dona Prosa levanta da sua cama, como que enfeitiçada por uma música que vem lá de fora – de onde? de fora – levanta da sua cama, coloca um sapato (que já deixa de antemão preparado, antecipando a insônia que sempre vem), coloca um sapato, com cuidado para não acordar o marido, que dorme, que dorme, e sai. Sai à noite, pra ouvir o canto que vem do vento, do vento, que não vem de lugar nenhum, mas que vem, que vem. Caminha cambaleante, quase caindo, quase dormindo, sussurrada, bêbada?, não, mas certamente embriagada, ela anda, vai, tem que ir, os deuses a protegem, e ela vai, e vai e vai. O corpo leve, os olhos desfocados – não há medo, não há perigo – ela vai, acompanham-na os uivos dos lobos urbanos, quer dizer, dos cachorros, e ela vai e vai e vai… Como se a calçada fosse um mar, ela flutuando, os sapatos ainda meio mal postos, a camisa ainda meio mal colocada, o casaco por cima just in case, e ela vai e vai e vai… Logo não é mais apenas música que a guia, mas também cheiro, e ela logo deixa de ser humana, e se sente bicho, sente os pelos arrepiarem, os instintos se guerreando aquecendo a pele por dentro, o sexo, o sexo, o sexo; sexo, sexo, sexo; sexo sexo sexo; sexosexosexo; sexo. Malditos ferormônios, ela pensa, um instante antes de se deixar ir, tomada que está, incapaz de resistir, já não é mais mulher, é besta, é fera, é garra, é deusa. É, finalmente, mulher.

Um gemido.

Ah.

Ahhh.

Ahn.

AH -

- - - (ah!)

Ah!.

Ninguém sabe que, chegada a noite, a dona Prosa vai ter com a Poesia. Nós somos seus filhos, seus bastardos. Temos duas mães, perdidamente apaixonadas, eternas amantes, a inveja de Zeus.

Nós, os fazedores de sexo.

26 de setembro de 2014

Assenhorando-se de si

É bem raro estarmos tomados por apenas um sentimento. Em geral há uma multidão deles, confusos e embaralhados, brigando entre si por expressão - como se desejassem ganhar materialidade na forma de palavra ou gesto. Que indesejável não deve ser a existência silenciosa e subordinada que a maioria deles leva em nosso interior! Mas não lhes tenhamos pena. Bom jardineiro não pode ter em igual estima a flor e a erva-daninha. Confrontados com a possibilidade de cultivar um sentimento em detrimento de outro, devemos aprender a ser cruéis - é uma questão de estilo e de saúde.

Em quase todos, são a conveniência e o costume que escolhem de que sentimento permitir a expressão. Mas, para os poucos a quem isso soa insuportável, um conselho:

entre a raiva e a culpa, sempre a raiva.

21 de setembro de 2014

Mesmo que X seja vermelho, a vermelhidão de X nunca terá cor

Poucas coisas são tão enormes quanto a nossa pequenez.

Saudade de chão

A parte ruim de crescer é ver seus amigos ficando pra trás. É insuportável permanecer na presença de crianças assim. Depois vêm ídolos, professores, pais e, finalmente, deuses. Não imaginávamos, no começo da escalada, a solidão do cume: é preciso aprender a olhar com outros olhos - a amar mais de longe - a tirar prazer da companhia de outras aves. E nunca, jamais: sentir vergonha de nossas asas.

19 de setembro de 2014

Sexo, pensamento e temporalidade

Textos, principalmente as máximas e os aforismos, são ejaculações - vêm e vão em menos de trinta segundos. Mas quem já gozou sabe: duram anos e anos.

Propaganda eleitoral gratuita

Há, entre os que defendem nossa posição, quem a defenda por torpeza, tolice e até maldade. Isso não a torna -- nem torpe, nem tola, nem má. E mais: mesmo que nossa posição fosse torpe, tola ou má, disso não decorreria - não automaticamente - sermos nós mesmos torpes, tolos ou maus.

Mas quem tem tempo para tais distinções? Só temos trinta segundos. Só temos trinta segundos!

Só temos trinta segundos?

Criações nossas

Sobre algumas coisas é necessário falar, não porque existem e por isso urgem - mas porque urge fazê-las existir.

10 de setembro de 2014

Por falta de coragem

Brochar não é nada. Impotência mesmo é não ter conseguido dizer Eu te amo a tempo.

Todo amor é pra sempre

Na verdade, é provável que “para sempre” tenha sido inventado justamente para dar conta de responder a algum engraçadinho que resolveu perguntar: “Até quando vai o amor?”.

O amor vai pra sempre. Sempre.

nem todas as lágrimas nos pertencem

O amor faz com que a gente sinta o outro em nós. Faz com que a primeira pessoa do plural faça sentido. Sentimo-nos mais que um. Duas almas nos habitam o corpo. É bem terrível quando um amor morre. Mas poderia ser pior -

- ele poderia ter se suicidado.

16 de agosto de 2014

Mais nudez, por favor

Devido ao mau cheiro, certos pensamentos seriam absolutamente insuportáveis - não fosse a quantidade assustadora de perfume que os rodeia. Fazemos bem em cultivar alergias.

Mesquinhez, sim!

Os argumentos, como os socos, têm na raiva seu melhor combustível. De nenhum filósofo a Paz é musa.

Perdendo a vergonha (de nossas cagadas)

Às vezes é preciso escrever maus textos. Grandes plantas nascem de terras adubadas com merda.

Antes quase-morto que semi-vivo!

Você já suou de tristeza?

Não subestimemos o esforço físico que é necessário para que nossa sensibilidade alcance os níveis elevados que lhe são próprios.

O apaixonado dorme como anjo, porque passa o dia cansado. Não há sistema imune que nos defenda de nossos afetos; somos, frente a eles, eternos enfermos.

O que a maioria não percebe é que a doença é desejável. O que não toleramos é a dor e a falta de controle.

Mas não são a dor e a falta de controle –- componentes do amor?

Sim. O amor é uma doença.

10 de agosto de 2014

Caminhos tortos são mais arborizados – as árvores os entortaram!

“Nunca em minha vida tracei caminho que não fosse perfeito! Há retidão em tudo o que faço e só me aproximo de almas tão imaculadas quanto a minha – Sim, de fato chego a ter nojo dessas corruptelas, desses gérmens da imoralidade, desses devassos da errância ética! Minha integridade é inabalável – eis minha força.”

“Não sei de quê te orgulhas: fiz tudo o que abominas – e sobrevivi. Minha força vem de todos os fogos por onde me queimei – e daquilo de que sou capaz apesar das queimaduras. Quem passa longe dos vícios não os vence, apenas os ignora. Não se mede a força de um homem usando como parâmetro aquilo que ele não viveu.”

21 de julho de 2014

Nós, da tribo Osqueapesarde

Só sente verdadeiro medo diante das regras quem acredita que elas têm verdadeiro poder.

Mas o poder das regras é pequeno e limitado – pequeno e limitado é o medo que devemos sentir diante delas.

13 de junho de 2014

Canto solitário

Somos todos vítimas. Mas nem por isso há no mundo algum culpado. Respeitemos o que significa 'sujeito': não somos sujeitos de nada - estamos sujeitos a tudo.

Inclusive a nós mesmos - ao amor - e,  principalmente, à solidão. 

A incubência-magna de toda filosofia e de toda ciência é mostrar-nos em quê somos menos que voluntários - eliminar do mundo a Intencionalidade e o Poder.  Escrever sempre com letras minúsculas. Porque minúscula é a nossa língua, minúscula é a nossa vontade, minúsculo é o nosso poder.

Assim canta o filósofo triste.

25 de março de 2014

Seres sobrecorporais

Por que os filósofos sofrem tanto? Sua potência e saúde operam de maneira muito específica – no pensamento. E sobre a maioria das coisas não podemos pensar. Isso significa que, sobre a maioria das coisas, os filósofos sofrem.

Por sorte, as coisas sobre as quais não pensamos, fazem-nos pensar.
E as coisas que pensamos, fazem-nos sobrepensar.

22 de março de 2014

Sabedoria de café da manhã

O tempo amarga quem não adoça.

21 de março de 2014

Álbum de Fotos

‘O legal de ter fotos suas’, disseram-me uma vez, ‘é poder ver o quanto você mudou com o tempo’. Enquanto que eu não consigo discordar disso, a verdade é que a quantidade de fotos em que eu apareço não aumentou significativamente nos últimos tempos. Encontrei, no entanto, uma ferramenta muito mais adequada para medir, com todos os prazeres e desprazeres aí acarretados, os efeitos do tempo sobre mim. Bem-vindos ao meu blog. O mais preciso dos álbuns de fotos que eu poderia ter. De fato, ao reler meus textos antigos, não raro eu percebo, aqui e ali, umas gordurinhas extras, um afinamento do nariz, uma mudança de postura, um endireitar das pernas, uma ritmização dos movimentos, um choro enfeiante, um sorriso sexy, uma época bem vestido, outra em que eu corro como esportista, o meu pênis crescendo, o meu cabelo pendulando ora enorme ora curto demais, meu peito se abrindo, minhas unhas se afiando, meus pés ganhando calos, minhas mãos se cansando da letra cursiva, um intestino feliz, uma semana vegetariana, o efeito dos cremes anti-espinha, o meu primeiro (e o meu segundo) porre, a minha adolescência chegando e depois indo embora… Creio, enfim, não haver sequer um atributo físico meu que não possa ser inferido de meus textos.

10 de fevereiro de 2014

Após o luto

Ele não foi o primeiro e não será o último. É tempo de dar solidez à nossa atuação política. É tempo de tomar decisões difíceis. É tempo de organizar a revolta interna e investir energia em projetos, bandeiras e pautas. A todos nós, que julgamos o Brasil morto, adormecido, doente - que julgamos a classe política morta, adormecida, doente - que julgamos os nossos valores mortos, adormecidos, doentes - que julgamos nosso futuro morto, adormecido, doente ---- É tempo de sair do luto, e dar início a uma vida nova.

31 de dezembro de 2013

Quanto menos pragmático, maior

Há grandeza no homem que escolhe o que é certo em vez de o que é melhor.

11 de dezembro de 2013

O valor de um espírito e o significado de uma barriga

Ganhar dinheiro sem enriquecer é quase tão nojento quanto ganhar peso sem comer.

A banha nos teus bolsos fede a sangue de anjo.

3 de outubro de 2013

Força

Você não confiaria num policial com arma de brinquedo, nem num cirurgião com faca de manteiga. Precisamos de pistolas e de bisturis.

Diga-me: o que pode um escritor cuja língua não é afiada? De que vai te salvar a escrita que não tem o poder de te matar? Não somos inofensivos e por isso não somos impotentes. Somos capazes de ferir, somos capazes de fazer sofrer, somos capazes de sufocar.

Mas você continua querendo uma medicina que não corta; uma ordem sem imperativos; sexo sem penetração; educação sem invasão; arte sem dor; poesia sem sangue; vida sem morte.

Não somos vegetais, meu bem.

22 de setembro de 2013

Irrefutável e gritante

A crueldade é um tipo de sinceridade.

Escolhendo o campo de batalha

Na luta contra a autoridade - qualquer tipo de autoridade - devemos sempre lembrar de nossa gratidão para com inimigos externos. Eles nos fornecem metáforas, sentimentos e teses -- e são essas as armas que devemos usar para combater os verdadeiros inimigos.

Os subprodutos estéticos da ciência

Deseja calma diante da morte?
Procura um biológo, meu amigo -
e não um sacerdote!

21 de setembro de 2013

Estrelas explodem

"Você me ama por quem eu sou?
Eu te amo por quem você está vindo-a-ser."
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Se eu te amasse por aquilo que fizeram de ti -- eu estaria amando os seus pais e os seus avós!

Não, meu amor, eu te amo por aquilo que você fez de ti. Eu não amo as repressões que você sentiu, nem a educação que te poliu. Eu amo as suas traições e os seus desrespeitos. Eu amo os seus filhos! mais que aos seus pais. Eu amo o que você vai fazer com o mundo - mais do que ao que o mundo fez com você. Eu amo as suas grossas e penetrantes raízes - mais que às suas bem-cuidadas folhas. Amo você fogo! mais que você fogueira. Deixem que esses laranjas completem-se com suas metades - de você, que é inteira, prefiro que me destrua! Eu te amo caos

Eu e você somos dois sóis.

20 de setembro de 2013

Sendo mais específico

É preciso escrever com sangue!, sim, mas é com o teu sangue, besta -- teu!!!

"Desculpe"

- Eu realmente não sabia que você se sentia assim.
- E você acha que isso o torna menos culpado?

19 de setembro de 2013

As roupas do sentido

Às vezes é de maneira vaga que se descreve mais precisamente.

Uma verdade-irmã

É preciso proteger a tua força da tua fraqueza.

Capítulo catorze

"Você envelheceu, pai. Seu discurso tem cheiro de fascismo."

18 de setembro de 2013

Criminosamente coerente

Não vai contra meus princípios infringir uma lei que vai contra meus princípios.

3 de agosto de 2013

Receita para ser filósofo

1. Ceder aos pensamentos bobos.

1 de agosto de 2013

O início de um estudo sobre as virtudes do trabalho

"Não quero morrer com a sensação de que em nada contribuí; por isso trabalho."

"Curioso: pelo mesmo motivo pedi demissão."

22 de julho de 2013

Uma verdade feminina

Nem sempre dizer a verdade é o jeito certo de ser verdadeiro.

20 de julho de 2013

A contradição daquela que os cria e a força daquele que os detém – Sobre os chifres

No meu mundo, é impossível trair aos outros. Podemos apenas trair a nós mesmos.

João e Joana são um casal. Ainda num relacionamento com João, Joana fica com Carlos. Nesse momento, diz-se que João é um corno – e que Joana o traiu. No entanto, o relacionamento de João e Joana continua. Quisesse Joana realmente ficar com Carlos – ela deixaria João e ficaria com Carlos. Mas ela não deixa João. Apesar de, nítida e obviamente, poder ficar com Carlos – ela não deixa João. Ora, se “ficar com Carlos” foi realmente uma traição… Não podemos dizer que Joana --- é fiel a João, apesar de tê-lo traído?

Digamos que não, que ela não é fiel a João. Isto é: que ela não queira realmente ficar com João. Ela quer, realmente, ficar com Carlos – ou, até, não ficar com ninguém. Nesse caso, ela está indo contra o que realmente quer. Ela está traindo a si mesma. A contradição daquela que cria os chifres é entre o que ela realmente quer e o que ela faz.

Quando Joana ficou com Carlos, João ganhou um par de chifres. Esse par de chifres diz ao mundo todo: “Minha mulher, apesar de – nítida e obviamente – poder ficar com quem ela quiser, escolhe permanecer num relacionamento comigo”. A força daquele que detém os chifres é que, apesar das traições, permanece uma fidelidade.

O problema é que não é assim que funciona. Vão me dizer que a verdade é que Joana não se importa com João – vão dizer que ela se aproveita dele, que o humilha, que o faz de bobo.  A verdade, vão me dizer, é que Joana só está com João por aparência. Ela quer o dinheiro dele, ou o prestígio social dele, ou sabe-se lá o quê dele: ela quer algo dele – e não é o amor, nem o pênis.

Nesse caso, meus caros, eu tenho que concordar: Joana é uma puta traidora. Mas não, eu insisto, porque ela ficou com Carlos! A traição dela veio antes – a traição dela está em ficar com João pelos motivos errados. A traição dela está em ficar com João sem que ela realmente queira. Joana trai a si mesma.

Mas e Carlos? Carlos se importa com Joana? E se Carlos ama Joana? Não é verdade que, ao permanecer na relação com João, Joana trai a Carlos, ao amor de Carlos? Cada dia que Joana volta pra casa de João, que faz seu jantar e dorme na mesma cama que ele, Carlos sofre. Ele ama Joana e a quer ao seu lado. A intensidade e a sinceridade do que sente estão acima dos valores sociais tipicamente cultivados: que importam a ele os casamentos, os sobrenomes, a “família”? Ele a ama! E todo mundo sabe que ninguém ama dessa forma sozinho. Carlos sabe, no fundo de seu coração, que ele foi correspondido. Carlos sabe que é apenas por covardia e por inércia que Joana não se desprende de João. Carlos sabe que Joana, de fato, o ama – mesmo que ela não saiba.

E a cada dia que Joana não enfrenta sua covardia – ela trai Carlos.

Mas aí vão me dizer: Joana não ama Carlos. Lembra-se? Ela é uma puta! Ela se diverte com Carlos. Ela gosta é de estar nessa posição de traidora. Ela gosta de rir com as amigas, dizendo que traiu o marido na semana passada. As amigas, velhas e enrugadas, não conseguem mais atrair um homem e, portanto, não conseguem trair seus maridos. E é por isso que ela sempre volta a João. Em realidade, como havíamos dito, ela é fiel a ele, porque é dele que ela tira esse sentimento de poder, essa diversão cruel: sem um marido bobo para humilhar, que graça tem a vida? O que quer, realmente, Joana? É ela uma puta que quer realmente viver esses prazeres sádicos? Pois então, ao ficar com João, ela está sendo sincera! Ao “trair” João com Carlos, ela está sendo sincera! Sincera a si mesma!

O problema é que não é assim que funciona. Joana de fato ama Carlos – e percebeu isso através dos seus sonhos. Não apenas os que tem durante a noite, mas – principalmente – os que tem durante o dia. Não é em João que ela pensa quando tem um dia estressante no trabalho, não é com ele que ela pensa em dividir o bonito pôr-do-sol que avistou da janela do ônibus. Não é ao lado dele que ela se imagina levando o pequeno Léo ao parque. Joana ama Carlos. E todos os dias se culpa por não conseguir se desprender de João. Mas que escolha tem ela? João é um homem rico, por quem “se apaixonou” ainda jovem e, sem ele, como poderia ela cuidar de sua mãe doente? Carlos, por lindo e apaixonante que seja, não tem um tostão. A situação atual – casada com João, ficando com Carlos, cuidando da mãe – é a situação em que ela é menos traidora, ela pensava. Sei, pai nosso que estais no céu, que traio a mim mesma, a Carlos e a João, ao permanecer nessa situação, mas eu seria uma traidora muito pior caso eu matasse minha mãe. E se eu parasse de “trair” João com Carlos, eu estaria traindo a mim mesma e a Carlos de maneira imperdoável. Eu escolho, Deus, a menor traição.

Mas a menor traição, meus caros, ainda é uma traição. Joana trai a si mesma. A crueldade que vocês tinham lhe imputado por ser uma traidora – precisamente era essa a crueldade que faltava a Joana, para que ela parasse de trair. Porque ser sincero inclui ser cruel. Se Joana conseguisse ser um pouco mais cruel com sua mãe e um pouco mais cruel consigo mesma (pois ela certamente sairia dessa muito lesada, com o nome manchado e com menos amigas) – talvez ela conseguisse viver seu amor com Carlos e cuidar do pequeno Léo com a sinceridade e a intensidade que ele merece. E Joana saberia ser cruel com o pequeno Léo. Porque aqueles que sabem ser cruéis com seus pais -- sabem ser cruéis com seus filhos. E é preciso que sejamos cruéis com nossos filhos. Faz parte do nosso respeito por eles. É apenas a crueldade que nos permite rir de La Vita (che) è Bella.

Haverá quem queira realmente não trair? Enveredar-se pelos caminhos da verdade e da sinceridade? Lembremos sempre a importância da penetração para a vida. Lembremo sempre que o oxigênio é um gás combustível – que o queimamos para viver. Lembremos sempre que temos caninos para arrancar a pele de animais menores. Lembremos sempre que nosso estômago trabalha com ácidos. Lembremos sempre que os arcos com que se tocam os violinos são feitos de crinas de cavalo. Lembremos sempre que o amor é egoísta e ambicioso. Lembremos sempre de escrever com sangue, de amar com o coração. E que, se formos nos suicidar, que explodamos com fogos de artifício.

2 de julho de 2013

Cansado demais para chorar

Uma "injustiça": 
É nos invernos mais frios que precisamos racionar com mais rigor.