10 de junho de 2010

Zoon politikon

De onde surgiu em mim a descrença na política? Onde, presa em algum lugar entre as primeiras chamas e as velhas novas estrelas, se fez valer um sentimento de negação da política?

A minha introdução, sempre tão metalingüística, hoje tem fim cedo. Não me alongo no onde, no por que. Mas no aonde, no porque.

Pois, por mais absurdo que seja o mundo à volta, esse de guerras e cores tão diversas quanto são as transições entre as cores do arco-íris; por mais imoral que me pareça ser a idéia de simplesmente dar continuidade ao que já existiu; a crença na lealdade ao que já foi; e absoluta inesperança que me assola todos os dias antes de dormir e quando acordo; que bobo sou eu, esse que desiste, que desisti da poítica.

Embora, nos mais estritos termos, o ódio à burocracia seja compreensível; a crise dos sistemas, inquestionável; a corrupção dos políticos, já popularmente aceita; a estatística e o pedantismo, assassinos confessos da matemática e de toda ciência; a universidade, morta como a igreja; a seriedade, eterna repressora da alegria -- como tocar um negócio, senão pagando as contas? como passar os dias, senão com uma família? como não se enfezar com roubos e desvios? como não criar argumentos estatísticos? como não se adequar à gramática? como não respeitar um professor de verdade? como não levar a vida a sério?

(A resposta seria: virando um ponto de exclamação. Ou ainda: virando um sinal de ‘menos’. Ou: dividir por zero. Por último: sendo uma negação.) A resposta seria: negando tudo. Negando o mundo. Negando a si. Por que? Porque negar-se é a mais fácil das covardias. E desistir em frente à burocracia, é covardia

não, repara, porque a burocracia seja em si um símbolo qualquer de elevação, coragem ou bem – não porque ela mereça ser levada mais à sério do que a vontade de negá-la; não porque os ódios, algodões-doces, vontades de explodir e de explodir-se sejam atos de descoragem, mas porque eu (e esse texto é absolutamente pessoal, não importando o tom com que escrevo), porque eu sou o que eu sou, e vou acabar indo aonde o que eu sou vai. E eu fui bobo.

É covardia pra mim, porque eu posso, todo esquematizado, desistir. Em vários níveis. A burocracia, o sistema, a corrupção, a estatística, a gramática, a universidade, a seriedade: estão desde o ato de acordar com despertador até votar no 12, 13, 15 ou nulo, e além – até fazer amor de frente ou de lado – até escrever em parágrafos ou versos – até ver um filme e se emocionar ou criticá-lo  - até um aperto de mão depois de uma fala – até um xis marcado numa questão de prova – até escolher duma lista uma profissão – até escolher um nome de um bebê – até substituir vírgulas por travessões – até sorrir, sonhar, beijar, cheirar, amar. {Desistir de tudo isso?!}

O que é – senão política – amar, cheirar, beijar, sonhar, sorrir, acordar com despertador, do próprio jeito? O que é ter a audácia de despertar sem o despertador? De amar sem nomes, talvez sem Amor, de beijar os sonhos, cheirar os sorrisos, trocar verbos por substantivos, não por tendência modernista, mas pela mais pura, ingênua, inlapidada, expontânea vontade de ser tudo aquilo que parecemos desde sempre ter sido feitos para ser? O que é a política, senão a na veracidade dessa vontade – o abandono à sinceridade do querer (e do não querer também!)?

Eu, animal preso na interseção entre selvageria e ortodoxia, poeta que pinta com a matemática, músico-burocrata, desenhistabailarino, que sou eu? que devo fazer eu? senão potencializar – não um ou outro – mas o poder que reside no exato fato de eu ser ambos, de eu ligar os dois! Eu sou ponte. Eu sou anfíbio.

Eu sou ponte que liga este a um mundo melhor. Com toda a ciência de que um mundo melhor inexiste. Com toda ciência de que eu não ligo nada. E que trabalho mais grato poderia haver que o de ser ponte invisível inefável inútil? Irresponsável.

Eu sou esse meio caminho entre o que há de mais anárquico e o mais autoritário. Eu sou porta-bandeira do novo, escalador de uma montanha que, sim, uma montanha que já existe! mas que nem por isso não deve ser escalada. Eu não preciso criar uma montanha nova – mas lá de cima, eu poderei ajudar tanto mais a criar montanhas, a destruí-las quando assim for objetivo, e outros a escalá-las, (no meu dever de professor que tanto almejo).

Um cargo público, de economia, direito e burocracia – pode ser um passo. Talvez absolutamente necessário para que eu possa continuar respirando o ar da forma que eu quero respirar. Um cargo político – pode ser uma experiência. Um servo do Estado rebelde e anarquista, sorrateiro e delinqüente, que tem nas mãos, não a democracia, a liberdade e os direitos - mas a inteligência, a vontade e os meios; um sentimento de diplomacia e de pátria que vai muito além das relações internacionais ou do nacionalismo – mas um agente diplomático entre seres humanos (não entre interesses), um sentimento de pertencimento (não a um país) ao mundo e a todos aqueles que se pretendem também políticos, hasteadores de bandeiras das montanhas do mundo todo.

Sou eu, voz de uma onda, degrau de uma escada. Animal político a levar (o que? sei lá!) ao mundo. Porque é isso que eu sou: um pedreiro, mexendo o concreto, aplicando asfalto. Preparando-te a estrada. Não me menosprezes: não deixes de decolar. Tu, que lês, talvez, o meu segundo texto mais sério.

8 de junho de 2010

20 de maio de 2010

leitoras leituras

Na palavra seguinte já não estava mais lá. De repente, o que estava “lendo”, aquilo que circulava entre a parte sensorial e a verbal da consciência, não conversava com o sujeito que havia escrito o livro ou com aquele que, por mera inércia, ainda o tinha nas mãos e a retina às palavras direcionada – surgira um terceiro elemento, estranho à situação, mas interno ao corpo dono das tais mãos e retina (percebe: só se pode ser leitor à “interrupção” da leitura). Em suma: não estava mais lá.

Pra onde havia ido?, já o saberia, enquanto puxava do bolso o celular que serviria de papel à narração da experiência literária que vivia, tão incrível era que merecia tornar-se, em tempo real, uma outra (“é mais ou menos pura agora que é metalinguística?”).

Pois tinha ido – e continua a narração – à exploração do que sentia, primeiro inconsciente, depois conscientizadamente. A primeira coisa que percebeu, de que a consciência se apropriou, foi, em imagens: Infância e Corpo. A memória, em vez de criadora, passou a ser batedora, explorando um passado há um segundo adormecido: na infância, o corpo funcionava diferente. Isso é percebido num campo não-verbal, está sendo sentido, a memória é ativa, não escrava da razão.

Percebê-lo foi de uma beleza bonita.

Repreendida a normal antiga repreensão, sentia de novo o que sentia: jogava bola, e queria ganhar, precisava ganhar, e empenhava suor e energia – vontade. Tinha ido para lá: à vontade inexorável e tão prazerosa de um pirralho de roubá-la, driblar, chutá-la. Não foi gol.

6 de maio de 2010

Obsessivo-contemplativo

Falo de você.

Inquieta, apreensiva, cuidadosa, atenta, desleixada, observadora, lírica, estonteante, bonita, andante, repentina, estranha, difícil, impenetrável, revelada, desmistificável, inapta, aprendiz, nova, sábia, jovem, sabiá, maluca, sã, racional, intuitiva, contemplativa, forte, frágil, descompromissada, leal, saudosa, saudades, bolo-de-chocolate, fotografia em sépia, prendedor-de-cabelo azul-marinho, sapato, cinto, cinta, vestido, verde, amarelo, cores, pintora, artista, expressiva, introsepctiva, expansível, pan-ser, grande, miniatura, telescópio, microscópio, óculos, lentes, canetas, corações, bisturis, colãs, letras, palavras, versos, contos, conte-me!, amante, solitária às vezes, deus-lua, grafite, , clave de sol, fone de ouvido, Bach, meiga, rija, olharuda, dançosa, séria, batom, sombra, blush, apassarinhada, bebente, voante, poente, sol quando amanhece, chuva quando começa a parar, calçada, meio-fio, poucas vírgulas, alguns dois-pontos, muitos travessões, nenhum parênteses, alguns pontos-de-exclamação íntimos, unhas, pernas, ombros, ponta do nariz, metade da testa, tamanho da orelha, estrangeirismo internacional, madrugada, aplicada, vontade, confiança, vermelha, terra, maior, admira—, –nte, –ável, –osa, –ada, –dor, –triz, –me, –nos, –i-la, respiradora, falta de ar, correr por você, cheiro de nuvem, dedos-do-pé, estratos do suco de laranja, extrato da cor laranja, x e s, sorriso, chama líquida, cambalhota, cabeça-pra-baixo, olhos castanhos-morango, uva-sem-caroço, pêra sem maçã, frase sem verbo, infinitas estrelas, via láctea plúmbea, satélites aquáticos, peixes-brilhadores, ponto de interrogação sem o gancho, perspectiva alinhada com a curva, imagem auditiva, cheiro de melancolia falsa, solitariedade verdadeira, pescoço nu, pele lisa, inventora,

Porque anteontem eu cortei o cabelo.

23 de abril de 2010

Eu-que-canta

Não, não é em termos técnicos que falhas, não é na não-subida de tom, ou na desacomodação ao ritmo, o espectro reduzido de freqüências que atinges, ou a suma incapacidade de cantares até o fim do verso.

Tu falhas nas notas que fazes, não com tua voz, mas com a dele (ou dela). Tu te esforças pra ser o vocalista que não és.

Não percebes tu que é tua voz que desejo ouvir? A tua e nenhuma outra? Por mim, jogavas fora teu violão, cantavas todo inteiro pra mim, fazias do silêncio teu instrumento, ressaltavas tua voz. Tua voz e nenhuma outra.

Tua voz é tão linda.

E percebe, quando te dirijo a fala: não é da falta de emotividade ou expressão que reclamo – chegaste mesmo a considerar que eu conseguiria ser indiferente àquilo que cantas? Não mesmo! Tua dor, tua face contraída, teus olhos esbugalhados; é tudo tão transparente, é tudo tão palpável… Se alguém em necessidade intransitiva de sentir, o escutasse: se apaixonaria, pois tu terias cumprido seu desejo, fazendo-a contrair-se ao lado da tua dificuldade e do ímpeto com que arranhas teu corpo (pois tu e teu corpo não vos dais bem: tu arranhas tuas cordas vocais, enquanto tua boca, invejosa do ouvido, se te torna importente)

- reclamo de como inibes tua voz, de como tentas desesperado fazê- -la outra, de como pareces desejar não ser dono da própria voz, como que te eximindo dela. Se algum dia reclamei da falta de força  com que cantas (e bem o fiz!), não foi um pedido de mais densidade ou mais aceleração, não: tu só soas fraco na medida em que pareces querer esquivar-te da força, da força de tua voz, pareces não querer admitir que és dono dela, que mandas nela, que tens força sobre ela.

Tua voz não é destituída de força: tu que não forças tua voz!

Tua voz é tão linda.

Ela tem um tom ingênuo, raspando a marca de infantilidade, faz-me querer apertar-te, segurar-te como a um ursinho de pelúcia: cuidar de ti. Pois tu soas um completo indefeso, pedindo colo, pedindo socorro, berrando a Deus. Como resistir a este sentimento que nos impeles: de sermos-te Deuses? senão com raiva…

Será que algum dia hás de perceber que não estamos nos apaixonando por aquilo que realmente és? Que adoramos teus instrumentos, tua vontade nos comove, e tua feição nos serena? mas que tu… nada nos fazes. Algum dia… largarás teu violão, teus espelhos, tuas palavras, teus conceitos – talvez até mesmo teus pensamentos e sentimentos (és forte a esse ponto?) – e só serás, só cantarás, alegre, o hino teu, só teu, só teu.

Algum dia me concederás a oportunidade de amar o que está plenamente sendo em ti – aquilo que plenamente és?

Algum dia escutarei tua voz?

Tua voz é tão linda.

17 de abril de 2010

É tempo

de escutar os próprios sonhos.

6 de abril de 2010

Feriado implanejado

Chove tanto. O dia foi todo feito de ócio, de não-fazeres, de dormir acordado. Meio bicho preguiça, meio adolescente apaixonado: tempo estranho, devagar mas rápido, gostoso mas vazio. Talvez, se houvesse rimas, uma poesia calma. Fechar os olhos: o metabolismo lento, um primeiro ciclo do sono. A vontade, já dormente, de sonhar. Um dia de anarquia, de inútil e improdutivo reinado. Ao lado do cavalo, mas ele só olha; e você, sem espora. Inspira o ar, segura-o, ouve o coração desapressado, respira primeiro na barriga, depois um pouco de ar no pulmão, ao mesmo tempo que um sorriso. Sonolento, passivo, balançante. A cabeça inclina, pára, vira. Não há rumo, não há determinação, meta. Uma espécie de liberdade comatosa. Vez ou outra se respira com mais intensidade, se ajeita a postura, se busca mais energia, ou mais desejo. Mas se volta: os músculos, e também os da alma, não permanecem tensionados. Nem chamar a nostalgia, amiga dos silêncios lentos, excita-a: a mente parece dormir, como que acudindo àquele pedido dos dias estressados, “chega de matemática”. Só resta – resta o quê? Resta um. Uma unidade de eu. Não as várias que, normalmente despertas, brigam sem parar entre si. Mas apenas uma, pacífica e soberana. O feudo de A Bela Adormecida, esperando: pelo princípe, ou pela maldição? Lá fora as pessoas morrem. A terra lhes sufoca o grito, e eu aqui tomado pela Terra.? Mas chove tanto!

20 de março de 2010

Réplica ao desconhecido

Como responde o poeta ao lhe versarem os olhos?
dirá ele, humilde e admirado, “são teus, obrigado”?
ou talvez, num tom cortês, “não te miravam – não, não desta vez”?

Independente- penso eu –mente do que faz o poemador,
não vejo-o senão sorridente, quiçá: avermelhado
- Ora, vejam só! Tenho, ao meu lado, não menos: um trovador!

Pois, ao invadir-lhe o terreno (tão só, tão ameno!),
mal espera o invasor: “Socorreste-me, ó”, agradece o poema-dor.

“Quanto do meu tempo se perdeu ao te esperar,
por que é que não vi-te antes, ó, musa do meu olhar?
O que vês, o que sentes? – fala, fala, não hei de te negar!”

“Ó, poeta dos olhos esverdeadors, cuja alma me enche de pecado,
(Não sabes quanto do tempo meu se passou em procurar, noutros, [os versos teus)
Não, nem imaginas, mas tuas palavras soam-me como as mais [lindas,
destas que se põem em cristal, a ser às damas doado em
[formando-se casal

Tal fazes-me sentir: uma mulher com teu amor-poesia presenteada
E agradeço-te, posto que me viste, me olhaste: eu, lisonjeada.

No entanto, querido poeta, te enganas e te atrapalhas.
Vejo, já agora, que tua alma antes a mim rica, enveludada,
não passa de mentiras e, céus!, tão mimada.

Se verdade fôr que me enxergas como salvadora do teu bosque
(no qual tu mesmo fizeste questão de te esconder),
permita-me discordar: “Que nojo de você”.

Encantavam-me em ti a doçura e expressividade, pensava: “quero-o
[meu em minhas tardes”
Encantavam-me em ti o sorriso tímido e a postura analítica, pensava [“quero-o meu, vou decifrar-lhe a cara”
Encantavam-me em ti a seriedade e o prazer e, mal pensaava, “lá vou eu, de poesia à prosa, aventurada”. Encantava-me em ti a explícita formalidade, quando – pela voz – percebia a tua vocação para a poesia. Tu és meu príncipe encantado e, no entanto, eu não me permito encantar: não sou mais adolescente, eu não me permito fingir voar. Permite a mim, não o vislumbre das alturas e dos céus-de-arco-íris, mas o mergulho nas tuas águas, sejam elas mansas ou marèadas. Não quero que me consideres um encontro, um achado, quero que possamos, os dois, perder-nos, um no outro, os dois no mundo. Eu sou teu início e não teu fim, meu amando mundo amado.

20 de fevereiro de 2010

Responsabilidade

texto sob revisão

As pessoas desastradas não têm culpa de esquecer a chave do carro, ou a comida fora da geladeira. Se essas coisas são tão simples pra mim, então o responsável por elas é naturalmente eu. Isso é simples, faz sentido. Ponto. É praticamente uma idéia clara e distinta.

As pessoas desastradas, no entanto, podem – e costumam – ter outras qualidades, que não a arte de lembrar de pôr o bife na geladeira. Tampado. Elas podem, por exemplo, ter uma sensibilidade às coisas simples que escapa àqueles que lembram da merda do bife.

Digamos que ela seja uma ótima dançarina, ou desenhista. Melhor: ela é ambos. Talvez ela sofra volta e meia por não conseguir se lembrar da tampa do bife. Talvez ela tenha perdido uma refeição assim, talvez tenha deixado alguém doente. No entanto, se ela põe sua vida em perspectiva, ela deve perceber que a dança e o desenho são fundamentais pedras na sua vida. É algo que "ela “não poderia deixar de fazer”, embora às vezes deseje apenas se lembrar do pobre bife.

Se existe algo que “não podemos deixar de fazer”, significa que somos responsáveis por esse algo. Ela é responsável pela dança, pelo desenho. E aquele que consegue naturalmente tampar e guardar o bife, é responsável por ele, exatamente porque ele consegue tampá-lo e guardá-lo. Nesse sentido de responsabilidade (chamemo-a de ‘bife’?), surge a pergunta “sou responsável por escrever?” – e repara que essa é a tradicional pergunta-chave desse texto.

Ou talvez ela seja “pelo quê sou responsável?”. Uma pergunta que faz total sentido às vésperas do vestibular. (o que? Uma referência a um fato mundado de minha vida?! Quem mais acha que esse texto é diferente, levanta a mão o/)

Percebi há pouquíssimo tempo que um de meus motivadores para a escrita tem sido a vontade de ser bonito. Algumas pessoas disseram que eu consegui. E então eu fiquei lisonjeado e agradecido, longe de ‘satisfeito’. Foi bom, porque parace que eu percebi que precisava de outros motivos pelos quais escrever. Motivos ou motivações que, ao realizados, me suportassem, me crescessem. E não simplesmente me afogassem, como algumas vezes aconteceu.

E provavelmente é esse o motivo desse texto aqui: uma perspectiva completamente outra. Pois estou encarando a possibilidade de não escrever por um desejo (como em “quero ser bonito”), mas por uma responsabilidade (como em “preciso fazer algo”). Eu não sou como a desenhistabailarina  para quem escrever é uma ordem, natural e expontânea. Deixar de escrever não seria para mim um suicídio. Por isso, aliás, eu não sou um escritor. (o que não significa que eu não possa ser, mas esse não é o assunto.)

Na verdade, eu estou mais perto de ser responsável pelo bife, literalmente, do que por escrever. Guardar o bife é tão natural e expontâneo, faz tanto sentido, e é tão heróico: já salvei muitas pessoas de serem envenenadas! Tudo devido à minha incrível facilidade em fechar e guardar…o bife. E olha que eu não sei dançar nem desenhar.

O que eu sei, além de, claro, o bife? O que eu sei que me faz responsável? Esse texto, por exemplo: já passou do 3000º caractere e, aparentemente, alguém ainda o está lendo. O que ele tem de mais? Por que eu ainda o escrevo, e “você” ainda o lê? (a propósito, não se engane: ler é uma atividade, não uma “passividade”, e também implica em responsabilidade).

De fato esse texto é especial: eu sou responsável por ele. Deixar, ou parar, de escrevê-lo seria uma traição e um suicídio em menor escala; ele é algo que eu “não poderia deixar de fazer”.

Então, eu já disse que sou bom com bifes. Que mais? [Com o intuito de adiar ainda mais o momento em que eu respondo isso, eu talvez deva dizer do que eu fiz antes de começar a perguntar isso. Talvez eu deva analisar o que eu escrevi até hoje. Boa parte “disso” começa cronològicamente com Friedrich. E por “disso”, eu quero dizer esse blog. Antes dele, meus textos serviam a outro propósito, eu acho. antes, além dos textos para escola (de que eu sempre pude extrair prazer), eu escrevi… Gritos. É, talvez não tenha mudado muita coisa.

Eu escrevia os gritos mais racionalizados e não-gritados que eu já ouvi. Eu elaborava sistemas, debatia lógica, causas e efeitos, métodos. Assim eu me encarava. Cheguei às verdades mais frias, aquelas que hoje eu chamaria de menos verdadeiras, e sofri por não ter me permitido sofrer. Eu literalmente discursava sobre meus sentimentos, tentava fazê-lo caber numa redação de vestibular. é engraçado, é trágico. Eu dava nome: Psychological Mindstorm. Nunca tive intenção de ser bonito, escrevendo o que eu escrevia. Mas talvez tenha sido no meio daquele turbilhão de seriedade e lógica que eu descobri, fria mas verdadeiramente, a minha vontade de ser bonito. Um excerto: “…”

Depois eu fui mudando. Crescendo em direções estranhas. Não vou preencher o gap entre os meus mindstorms e meu Friedrich: basta dizer que eu cresci, que fiz muita terapia, que me apaixonei, que mudei. Mas não mudou a vontade de ser bonito. Na minha “festa irracional do nada”, a palavra-chave era festa: queria ser alegre, animado, feliz, bonito. Festas são bonitas.]

Talvez eu devesse destacar a “fluidez”  do meu texto. Disseram-me “seu texto tem uma fluidez, construída”. Eu não sou fluido por natureza, mas sou capaz de construir fluidez. No mínimo. O que mais tenho capacidade de construir? Porque, com o que é “natural”, não sou muito bom. O natural, pra mim, não é bife. Talvez eu não seja o melhor de todosem descobrir algo, mas eu sou o melhor em transmitir, em reescrever, em reestruturar a informação. Sou…Didático? Sou bom como ponte: te levo para mais perto, embora eu não tenha idéia de que do que, ou de onde.

Sou bom com sistemas, com problemas, com análise, processo, e solução. Eu sou, de alguma forma assustadora, muito concentrado. Muito focado, certeiro, preciso. Se eu colocar em outras palavras, perco a vergonha de dizer: “sou cientista”.

O problema é quando isso parece me afastar da sensibilidade, da arte, do artista. Até agora só me apaixonei por artistas. É o meu desejo, de ser bonito. E não é para menos que eu me assuste ou fuja quando me olho no espelho assim: de gravata, preso, dentro de um método. Eu sou o melhor nisso, sou responsável por esse método, sou responsável pela ciência e por transmiti-la, mas odeio isso! E sinto-me hipócrita quando vejo que amo a sensibilidade, a feminilidade das coisas, a anti-ciência, a liberdade.

Viu esse último parágrafo? Ele é tão forte que (claramente) fugiu do meu controle. Precisei de vírgular, de substantivos, de exclamações. E é por isso que eu passei tanto tempo escrevendo, lendo, vendo filmes, tentando ser bonito.  Porque volta e meia eu explodo, como acabei de fazer. É uma explosão de vontade   de desejo   de ação. É bem diferente da minha concentração (que eu mal-interpretei como calma tantas vezes).

Talvez sejam opostos, a minha explosão e minha concentração. Com raiva da segunda, eu tentei maximizar a primeira, ‘explodir o máximo possível’. Isso também gera sofrimento, porque isso também é tiranizar uma parte de si mesmo. O que sempre causa sofrimento, o que sempre é injusto.

Cara dançarinadesenhista,
não sofra pelos bifes. Permita que eu cuide deles.

Esse, como poucos textos antes, tenta não vilanizar qualquer parte de mim (dica: é difícil), tenta atingir uma harmonia maior, e, principalmente, é um dos textos mais sérios que eu já escrevi: pois eu tenho completa responsabilidade por ele. Esse texto é o meu bife. Não pretendo me envenenar.

Voltando ao controle… Eu diziada oposição   apartente   entre o meu “sou cientista” e o recém-descoberto “sou artista”. E então eu disse que este texto é o início de um processo “façamos as pazes”. E agora eu queria chamar a atenção pro início do texto. Ele começa confiante, uma boa introdução, que não sabia que o texto se estenderia tanto, e parece seguro afirmar que o “quê” do texto já estava definido: na verdade, parece que eu estava preparando terreno para confessá-lo.

Falei da garota desastrada, falei da minha facilidade com pequenas organizações (bifes são fáceis e expontâneos; quartos, não). Depois introduzi sorrateiro a questão da profissão, e aí tudo desmoronou no meio da melhor parte da explicação.

O que eu preciso confessar é que eu não sou escritor. Mas preciso confessar, não simplesmente atirar, como se faz com uma “verdade” fria. Ou talvez eu deva dizer: sou um escritor irresponsável. Essa é uma confissão melhor, soa mais como uma confissão. E a minha escolha – sim, a profissão, o vestibular – é uma escola responsável - “consciente'”, como eu costumava falar. Eu sou bom com responsabilidades. Desse tipo, pelo menos: as conscientizações. E é isso que eu preciso fazer; qual vestibular vai me permitir mais consciência? E esse termo é necessariamente vago.

10 de fevereiro de 2010

Esse é de ontem

Eu queria que me conhecessem assim, agora. Click: congela. Não sou bom em pintura realista com modelo. Não sou bom em narrar o que eu vejo, em pintar o que está à minha frente. Portanto, mesmo que eu pudesse fotografar esse momento, eu não poderia, mesmo em cem anos, pô-lo em palavras. Mas também, é claro, se eu pudesse ter tal fotografia, eu não sei se restaria muito motivo para escrever.

Eu prefiro, em vez de fotografias impossíveis, me fundir à obra e escrever o resultado (e também o processo). Por isso, eu tenho um pouquinho de mim fundido em cada escrita minha. Mas se eu tenho vontade de escrever sobre mim - ignorando o aparente egocentrismo -, eu me perco. Deveria eu fundir-me a mim mesmo, entregar-me completamente à mercê de mim? Mas isso é assustador.

E aí eu prefiro sempre, (repara!), entrar em alguma discussão menos poderosa, como "qual o motivo de eu estar escrevendo?" (nessa pergunta, fica bem clara a desconfiança e a resistência em aceitar-me)

O motivo de eu estar escrevendo agora, é pessoal: quero reler depois e entrar em contato com essa parte de mim que tanto me apraz. Também tenho, na minha não-pequena vaidade, uma esperança e um desejo, ao revelar-me tão sedutoramente: quero ser apreciado, degustado, decifrado - ou, no mínimo, visto, conhecido. Tenho o fetiche de ser melhor conhecido por outro, do que por mim. 

Essas discussões não são singelas, mas tampouco são relevantes. Eu estava no alto de meu décimo-quinto antar e eu escrevia um poema de amor. Era algo assim:

da alegria de um momento que não faz sentido,
resta algo sentido
da tempestade que ameaça cair à minha frente,
resta a ameaça
Dos trovões, que lembram Beethoven,
não resta nem a música nem as nuvens:
resta o medo. E a delícia de senti-lo.
De repente, quando tudo isso se junta
[num ferver da barriga,
sinto a alegria, a tempestade, a delícia.
Fecho os olhos, ouvindo os silêncios que cadenciam os barulhos,
transformando-os em música.
E nessa hora, talvez, reste Beethoven, mas só um pouquinho
Nessa hora, o que resta é o sono.
E a certeza de que, embora nada faça sentido,
tudo que ha             é sentido.
E de repente eu sinto tudo e caio minha cabeça no travesseiro,
pois sei que durmo bem, e feliz, pois amanhã, tenho um encontro contigo,
e mal posso esperar.
É esse o sonho, feito de alegria, tempestades e beethoven, que eu quero escrever.
E esse é o sonho que eu faço poesia.
E aí eu digo, uma "última" vez:
boa noite, meu amor. Dorme bem, que eu acordo melhor.

24 de janeiro de 2010

ey

Talvez eu devesse obrigar-me a escrever, fixar metas, cobrar constância. Envivecer o meu blog, fazê-lo menos independente do que eu sou. Sentar ao teclado – com sono, com raiva, lobo, criança, feliz, apaixonado, desejoso de chocolate ou não – e escrever, martelar as tecladas, formar frases, juntar palavras. Talvez o link que eu tanto tento fazer entre meus diversos textos deva ser feito não por mim, mas por quem me lê, e que minhas múltiplas personalidades sejam, não transformadas num todo grande e confuso, mas talvez ‘permanecidas’ cada uma em seu canto, um pequeno texto, de uma frase, de uma poesia, de um ponto de exclamação. Não preciso fazer meu majestoso trabalho de conscientização que normalmente faço de mim mesmo e de meus textos. Repara que em quase todos eles, pareço estar redescobrindo a mim mesmo, ou ao mundo. Um texto, uma descoberta. E as pequenas nuances que os percorrem, os pequenos detalhes, aqueles que só os que me conhecem além dos meus textos – por exemplo os que me conhecem as sobrancelhas, ao olhá-las ali em cima – conseguem perceber. Aqueles olhos, são de medo ou são de convicção? De tristeza ou de raiva? Estava apaixonado? Ou estava morto? E esse texto, é MEU? Faz jûs a mim? Tando faz, porque eu sou feito de tanta coisa que tanto faz. Essa é uma gaveta, é um pólo, é uma personalidade, é um lado, é um tipo, é um EU. E tanto faz se são 4:30 da manhã, ou se esse texto não é bonito, tanto faz se eu não acho que esse texto é bom. Tanto faz, tanto faz, tanto faz. Blá, blá, blá. Blé blé blé.

8 de janeiro de 2010

Poesia.

As lágrimas escorrriam do céu
Brilhando com relampejos noturnos
Faziam-lhe das roupas enxarcadas um véu
Enquanto se provavam o gosto soturno

Dezembro de 2008.

15 de dezembro de 2009

Que se dane (?)

E agora, o que eu faço?


11 de dezembro de 2009

Aspas

As aspas servem pra deixar-me um pouquinho mais leve.

"Contemplo a página em branco, nervoso, um pouco tremendo, sei que existem algumas palavras loucas para sair à superfície do papel, das minhas mãos, as pontas das canetas. Sei que essas palavras são bonitas, porque são verdadeiras, mas sei que elas me enchem de medo, porque são verdadeiras. Talvez algum trauma passado tenha me imposto esse medo, essa hesitação, esse tremendo, na minha relação com as verdades sobre mim. Muitas vezes o que me separa da felicidade, é um pouco de mentira.

Sei também que não posso escrever essas palavras. Não sei por que, mas sei que não posso. Talvez eu não esteja preparado, talvez simplesmente não tenha o direito.

Agora, isso não me impede de senti-las, as palavras, borbulhando sob a minha pele, apertando-me a corrente sangüínea, fazendo bater meu coração, e levando-me oxigênio: o gás que serve à destruição, à quebra energética do que eu comi. As palavras são o agente do oxigênio: pegam o que eu comi e transformam em energia utilizável.

E essas palavras são pesadas, são difíceis, estão presas também, os presos são difíceis. O peso talvez nada mais seja que a leveza sendo presa: se a leveza do mundo fosse condensada em um único ponto, teria-se o bigbang, que é super pesado, apesar de ser só a soma de todas as levezas. Ou talvez o big bang seja leve, eu não sei, não estarei lá pra vê-lo.

Eu estou é aqui, vendo o big-bang que acontece dentro de mim, vejo as palavras que deveriam ser leves se juntando e ficando pesadas. Embora eu não possa escrevê-las, eu sei que quando escrevo sobre elas, um pouco delas escapa, e eu fico um tico, só um pouco, mais leve. Isso é bom. Escrevo, não para expulsá-las, ou pra diretamente escrevê-las, mas para servir-lhes uma ponte, pela qual possam depois não agora sair. Um mero caminho.

E de repente, no meio das minhas palavras, várias já escapuliram, elas saem pelas entrelinhas, pelos títulos, pelas vírgulas e pontos, estão em todo o lugar, são o que está além das palavras, porque não podem ser elas mesmas. De repente no meio das minhas palavras, eu estou um pouco mais livre (um pouco mais leve), menos condensado, mais etéreo, mais espacial, maior e mais apto a conquistar o mundo. Um dia eu vou ser leve com as nuvens e simplesmente ser, como elas, ser ursinhos para as crianças e tempestades para os românticos. As nuvens são incríveis, não são?

Serei também invisível para aqueles que só conseguem ver beleza num dia todo azul. São aqueles que não aprenderam a apreciar o que não é claro, o que não é uniforme, o que é algodão-doce, que fica na frente do sol. Não os culpo, também gosto de dias azuis, sem nuvens. Mas os dias nublados são tão especiais.

No entanto eu ainda não sou leve como as nuvens. Talvez o seja como algumas árvores, que balançam ao vento, sem sair muito do lugar, apenas se mexendo, animadas pela brisa divina. O meu medo é o de ter fixado minhas raízes fundo de mais, sem ter me concentrado na minha copa, como uma xerófila, que só encontra água onde é mais profundo. Ah, não, um dia quero florescer, quero chegar ao céu, me aproximar das minhas companheiras nuvens.

Quero tanta coisa, eu, musgo da pedra. Quero escrever. Sinto muita necesisdade de escrever, uma pena que não possa. No entanto vou aos poucos estabelecendo o caminho, por entre textos e não-textos, numa ainda mais misteriosa esperança de um dia florescer. Sou as árvores, as nuvens, as catingas, sou a esperança, as palavras e o oxigênio, sou início, meio e fim, sou apenas o fim. Sou a lágrima que deixei cair."

E esse é um texto triste.

7 de dezembro de 2009

Crítica à melancolia gelatinosa

[perdi a(s) primeira(s) parte(s)]

[…] Ainda mais essencial à minha sobrevivência do questes outros. Por isso também tem crescido meu interesse por biografias, quero tanto que escrevam minha história, às vezes escrevo só para dar conteúdo a meus biógrafos. Olha que inversão cega, esdrúxula!

A verdade é que pouco a pouco nos meus tédios e nos meus ócios, nas minhas leituras e nas minhas terapias, nas minhas paixonites e também nos meus amores, vou cultivando os meus escassos meios de responder a essa questão “de que tenho medo eu?”, uma questão tão fundamental para que eu chegue ao místico “quem sou?”, que promete ulisses.


Eu tinha que fazer gelatina, mas não tem. Tampouco tenho fotos.


Não estou empunhado de meus algodões-doces, é verdade, mas tenho penas e pincéis, com os quais vou-me desenterrando e pintando, descobrindo-me, formando-me. É, é verdade. Todo esse blog, toda a minha “obra”, a minha pouca embora valiosa arte, é uma constante reiteração disso, enfatização dessas perguntas, este meu querer ser.

Quem sou eu? disse por último, antes que as palavras se perdessem num vácuo de levitação. Apaixona-te!, faz tua aprendizagem, ouviu sussurrar. Talvez tenha sido o vento.

6 de dezembro de 2009

Gelatina d'Arte

Ainda me surpreende, e com freqüência considerável, o fato de que das cirscunstâncias mais esdrúxulas, dos tempos mais estranhos, ou da falta deles, às vezes do tédio, às vezes como que do nada, parecem vir-nos as mais interessantes certezas: certezas, porque, sendo pequenas loucuras, não vacilam como fazem outras partes de nós (como aquelas que fazem escolhas e emitem julgamentos). Ah, não, dessa parte esdrúxula e inprevisível de nós só podem surgir coisas que escapam à normalidade e à sanidade dos homens.

E de repente, percebe-se, o mundo todo está afundado, como que embrenhado de um líquido que – enquanto o sustenta numa posição falsamente estável (imagine uma gelatina contendo um barco) – faz dele o mais inavegável dos meios de transporte, mas também o mais saboroso: nos momentos esdrúxulos e nas circunstâncias estranhas sem o tempo, o mundo é feito de gelatina. E então, dessa gelatina, que também nos compreende e compõe (pois somos o barco e também aquilo com o que o envolvemos); dessa gelatina, parecemos extrair aquilo que enquanto artificial e estranho ao nosso barco, parece perfeitamente o complementar.

Extraimos de nossa gelatina a sobremesa de nossa navegação – não o prato principal, majestoso, pesado e imponente em si – mas aquilo que parece encerrar o nosso desejo, nossos anseios, nossa fome, aquilo que, esperançamos, vai saciar-nos para sempre. E não parece incrível, que, embora lidemos todos os dias com nossos pratos principais e nossa ânsia de tê-los em nossos estômagos, parecemos sempre insensíveis a todas as sobremesas que nos envolvem, e sempre surpreendemo-nos quando alguém nos oferece dela?

Ou quando nós mesmo no-la oferecemos.

Acho que é isso. Só mesmo uns rabiscos sem sentido – do jeito que a lógica que não precisa fazer sentido manda –, uma mini festa no meu apê de desorganização metida a irracional, visando a mostrar, a mim e meus outros eus, meus leitores e meus bisnetos, que… a gelatina é gostosa, sabe? E que às vezes encontramo-a quando menos esperamos. E ela é saborosa e doce, e que eu consegui encontrá-la.


4 de dezembro de 2009

Pequena Comédia

Quando abre os olhos, o inteligente sente-se triste e culpado pelo tempo que passou com os olhos fechados.

Besta! Será que não percebe que é impossível espirrar com os olhos abertos?


13 de novembro de 2009

My gosh, I'm in love with all these people...

Ah, tá.

É só bom lembrar às vezes, que eu não sou poeta, não sou escritor, não sou filósofo.

Il y a des temps où on peut toucher l'éternité

5 de novembro de 2009



Quanto tempo demorei p’ra perceber
que
meu amor à prosa era
senão
desconforto com a poesia

esta
que, na verdade, é: isso
, pois,
que flui, que percorre-
-me
que me inunda
é
um medo
de ver nas palavras o seu verdadeiro significado
delas
o verdadeiro insignificado
(Deus, que significa? Nada: mas insignifica tudo)
Caneta, pena, lápis, lapiseira, giz, lâmina.
insiginificantes
poeira
poesia
o medo condensado em prosa;
liquefação das frases
que insignificam,
poesia