O único verbo para a saudade é morrer.
10 de fevereiro de 2015
9 de fevereiro de 2015
Romantismo de bobeira
Imprudência, não honra
17 de dezembro de 2014
28 de novembro de 2014
A cada vez mais gay
Engana-se quem pensa que sair do armário é um acontecimento único na vida. Como se só houvesse um armário nos aprisionando. Sempre há alegrias maiores a sentir; sempre há armários maiores dos quais se libertar.
27 de novembro de 2014
Para o auto-conhecimento uma epistemologia mais sutil
Não se vence força inconsciente com montanhas de intencionalidade e deliberação. Precisamos de idiomas menos grosseiros para conversar com nossas entranhas.
26 de novembro de 2014
Onde ainda acreditamos em deuses
As idéias, para que sobrevivam, não basta serem boas.
Argumentar a favor da validade de uma idéia com base no fato de que ela continua ganhando adeptos e sendo repensada de novo e de novo -- é tao místico quanto acreditar que as pessoas boas têm mais chances de sobreviver que as outras, e tão idiota quanto achar que a sobrevivência das pessoas é indicativo da sua bondade.
Eu e você não acreditamos sequer numa justiça cósmica, divina - que dirá numa justiça humana! que dirá numa justiça filosófica!
Boas idéias morrem com a mesma frequência - e com a mesma sem-cerimônia - com que morrem boas pessoas. Quem quiser pensar faz bem em acostumar-se ao luto.
22 de novembro de 2014
23 de outubro de 2014
Amor parteiro
O caminho para entender um homem é sempre torto e desagradável, porque sobre suas complexidades recai um grosso véu acinzentado. Ao contrário das mulheres, cuja nudez até um cego pode ver, os homens exigem veemente intencionalidade: a nudez do homem não o habita naturalmente - precisa ser parida.
4 de outubro de 2014
Não confundir amizade com política
O prazer que você tira das conversas com esse amigo - - depende de vocês concordarem?
2 de outubro de 2014
Metáfora feminista
A mulher que decepa o pênis de um homem - - não é uma mulher. É um homem travestido.
1 de outubro de 2014
30 de setembro de 2014
Des-conto erótico
A prosa tem algo de explícito que a poesia normalmente esconde. Poeta fica horas encaixando sílaba, procurando rima, testando novas ordens de palavras, torcendo a gramática, inclusive fingindo beleza!, mascarando, pintando – não muito diferente de como as mulheres se pintam e cobrem, fantasiam, dançam, escondem e revelam.
A prosa, não. É mais masculina, mais direta, mais nua. Muitas vezes mais indecente e ríspida, insensível, boba, ingênua. A prosa ou te penetra ou não: é isso e acabou. A poesia, não. A poesia é uma mulher, nunca dá pra saber o que ela achou, o que ela quer de você, de quem ela gosta. Faz mistério, finge, embaralha, confunde, seduz.
Fale de sexo com um poeta e ele logo muda de assunto: vai falar de pescoço, de unha, de coxa, de olhar, de cantada, de feeling, de peeling, de perfume, de gozo, de gemido, de toque, de mão, de cama, de noite, de quatro.
Com um prosador, nada há do que falar: ou se penetra ou não. As margens são claras. Não é não. Nada de surpresas. Nada de invasões. Respeito é bom e eu gosto. Respeito ao corpo, ao indivíduo, à escolha, à ordem direta das palavras, ao sujeito-e-predicado, à conotação. (O prosador – tão prosaico é! – não sabe que o sexo é metáfora.)
O que pouca gente sabe é que, quando chega à noite, a Dona Prosa levanta da sua cama, como que enfeitiçada por uma música que vem lá de fora – de onde? de fora – levanta da sua cama, coloca um sapato (que já deixa de antemão preparado, antecipando a insônia que sempre vem), coloca um sapato, com cuidado para não acordar o marido, que dorme, que dorme, e sai. Sai à noite, pra ouvir o canto que vem do vento, do vento, que não vem de lugar nenhum, mas que vem, que vem. Caminha cambaleante, quase caindo, quase dormindo, sussurrada, bêbada?, não, mas certamente embriagada, ela anda, vai, tem que ir, os deuses a protegem, e ela vai, e vai e vai. O corpo leve, os olhos desfocados – não há medo, não há perigo – ela vai, acompanham-na os uivos dos lobos urbanos, quer dizer, dos cachorros, e ela vai e vai e vai… Como se a calçada fosse um mar, ela flutuando, os sapatos ainda meio mal postos, a camisa ainda meio mal colocada, o casaco por cima just in case, e ela vai e vai e vai… Logo não é mais apenas música que a guia, mas também cheiro, e ela logo deixa de ser humana, e se sente bicho, sente os pelos arrepiarem, os instintos se guerreando aquecendo a pele por dentro, o sexo, o sexo, o sexo; sexo, sexo, sexo; sexo sexo sexo; sexosexosexo; sexo. Malditos ferormônios, ela pensa, um instante antes de se deixar ir, tomada que está, incapaz de resistir, já não é mais mulher, é besta, é fera, é garra, é deusa. É, finalmente, mulher.
Um gemido.
Ah.
Ahhh.
Ahn.
AH -
- - - (ah!)
Ah!.
Ninguém sabe que, chegada a noite, a dona Prosa vai ter com a Poesia. Nós somos seus filhos, seus bastardos. Temos duas mães, perdidamente apaixonadas, eternas amantes, a inveja de Zeus.
Nós, os fazedores de sexo.
26 de setembro de 2014
Assenhorando-se de si
É bem raro estarmos tomados por apenas um sentimento. Em geral há uma multidão deles, confusos e embaralhados, brigando entre si por expressão - como se desejassem ganhar materialidade na forma de palavra ou gesto. Que indesejável não deve ser a existência silenciosa e subordinada que a maioria deles leva em nosso interior! Mas não lhes tenhamos pena. Bom jardineiro não pode ter em igual estima a flor e a erva-daninha. Confrontados com a possibilidade de cultivar um sentimento em detrimento de outro, devemos aprender a ser cruéis - é uma questão de estilo e de saúde.
Em quase todos, são a conveniência e o costume que escolhem de que sentimento permitir a expressão. Mas, para os poucos a quem isso soa insuportável, um conselho:
entre a raiva e a culpa, sempre a raiva.
21 de setembro de 2014
Mesmo que X seja vermelho, a vermelhidão de X nunca terá cor
Poucas coisas são tão enormes quanto a nossa pequenez.
Saudade de chão
A parte ruim de crescer é ver seus amigos ficando pra trás. É insuportável permanecer na presença de crianças assim. Depois vêm ídolos, professores, pais e, finalmente, deuses. Não imaginávamos, no começo da escalada, a solidão do cume: é preciso aprender a olhar com outros olhos - a amar mais de longe - a tirar prazer da companhia de outras aves. E nunca, jamais: sentir vergonha de nossas asas.
19 de setembro de 2014
Sexo, pensamento e temporalidade
Textos, principalmente as máximas e os aforismos, são ejaculações - vêm e vão em menos de trinta segundos. Mas quem já gozou sabe: duram anos e anos.
Propaganda eleitoral gratuita
Há, entre os que defendem nossa posição, quem a defenda por torpeza, tolice e até maldade. Isso não a torna -- nem torpe, nem tola, nem má. E mais: mesmo que nossa posição fosse torpe, tola ou má, disso não decorreria - não automaticamente - sermos nós mesmos torpes, tolos ou maus.
Mas quem tem tempo para tais distinções? Só temos trinta segundos. Só temos trinta segundos!
Só temos trinta segundos?
Criações nossas
Sobre algumas coisas é necessário falar, não porque existem e por isso urgem - mas porque urge fazê-las existir.
10 de setembro de 2014
Por falta de coragem
Brochar não é nada. Impotência mesmo é não ter conseguido dizer Eu te amo a tempo.
Todo amor é pra sempre
Na verdade, é provável que “para sempre” tenha sido inventado justamente para dar conta de responder a algum engraçadinho que resolveu perguntar: “Até quando vai o amor?”.
O amor vai pra sempre. Sempre.
nem todas as lágrimas nos pertencem
O amor faz com que a gente sinta o outro em nós. Faz com que a primeira pessoa do plural faça sentido. Sentimo-nos mais que um. Duas almas nos habitam o corpo. É bem terrível quando um amor morre. Mas poderia ser pior -
- ele poderia ter se suicidado.
16 de agosto de 2014
Mais nudez, por favor
Mesquinhez, sim!
Os argumentos, como os socos, têm na raiva seu melhor combustível. De nenhum filósofo a Paz é musa.
Perdendo a vergonha (de nossas cagadas)
Às vezes é preciso escrever maus textos. Grandes plantas nascem de terras adubadas com merda.
Antes quase-morto que semi-vivo!
Você já suou de tristeza?
Não subestimemos o esforço físico que é necessário para que nossa sensibilidade alcance os níveis elevados que lhe são próprios.
O apaixonado dorme como anjo, porque passa o dia cansado. Não há sistema imune que nos defenda de nossos afetos; somos, frente a eles, eternos enfermos.
O que a maioria não percebe é que a doença é desejável. O que não toleramos é a dor e a falta de controle.
Mas não são a dor e a falta de controle –- componentes do amor?
Sim. O amor é uma doença.
10 de agosto de 2014
Caminhos tortos são mais arborizados – as árvores os entortaram!
21 de julho de 2014
Nós, da tribo Osqueapesarde
Só sente verdadeiro medo diante das regras quem acredita que elas têm verdadeiro poder.
Mas o poder das regras é pequeno e limitado – pequeno e limitado é o medo que devemos sentir diante delas.
13 de junho de 2014
Canto solitário
25 de março de 2014
Seres sobrecorporais
Por que os filósofos sofrem tanto? Sua potência e saúde operam de maneira muito específica – no pensamento. E sobre a maioria das coisas não podemos pensar. Isso significa que, sobre a maioria das coisas, os filósofos sofrem.
Por sorte, as coisas sobre as quais não pensamos, fazem-nos pensar.
E as coisas que pensamos, fazem-nos sobrepensar.
22 de março de 2014
21 de março de 2014
Álbum de Fotos
‘O legal de ter fotos suas’, disseram-me uma vez, ‘é poder ver o quanto você mudou com o tempo’. Enquanto que eu não consigo discordar disso, a verdade é que a quantidade de fotos em que eu apareço não aumentou significativamente nos últimos tempos. Encontrei, no entanto, uma ferramenta muito mais adequada para medir, com todos os prazeres e desprazeres aí acarretados, os efeitos do tempo sobre mim. Bem-vindos ao meu blog. O mais preciso dos álbuns de fotos que eu poderia ter. De fato, ao reler meus textos antigos, não raro eu percebo, aqui e ali, umas gordurinhas extras, um afinamento do nariz, uma mudança de postura, um endireitar das pernas, uma ritmização dos movimentos, um choro enfeiante, um sorriso sexy, uma época bem vestido, outra em que eu corro como esportista, o meu pênis crescendo, o meu cabelo pendulando ora enorme ora curto demais, meu peito se abrindo, minhas unhas se afiando, meus pés ganhando calos, minhas mãos se cansando da letra cursiva, um intestino feliz, uma semana vegetariana, o efeito dos cremes anti-espinha, o meu primeiro (e o meu segundo) porre, a minha adolescência chegando e depois indo embora… Creio, enfim, não haver sequer um atributo físico meu que não possa ser inferido de meus textos.
10 de fevereiro de 2014
Após o luto
Ele não foi o primeiro e não será o último. É tempo de dar solidez à nossa atuação política. É tempo de tomar decisões difíceis. É tempo de organizar a revolta interna e investir energia em projetos, bandeiras e pautas. A todos nós, que julgamos o Brasil morto, adormecido, doente - que julgamos a classe política morta, adormecida, doente - que julgamos os nossos valores mortos, adormecidos, doentes - que julgamos nosso futuro morto, adormecido, doente ---- É tempo de sair do luto, e dar início a uma vida nova.
31 de dezembro de 2013
Quanto menos pragmático, maior
Há grandeza no homem que escolhe o que é certo em vez de o que é melhor.
11 de dezembro de 2013
O valor de um espírito e o significado de uma barriga
A banha nos teus bolsos fede a sangue de anjo.
3 de outubro de 2013
Força
Você não confiaria num policial com arma de brinquedo, nem num cirurgião com faca de manteiga. Precisamos de pistolas e de bisturis.
Diga-me: o que pode um escritor cuja língua não é afiada? De que vai te salvar a escrita que não tem o poder de te matar? Não somos inofensivos e por isso não somos impotentes. Somos capazes de ferir, somos capazes de fazer sofrer, somos capazes de sufocar.
Mas você continua querendo uma medicina que não corta; uma ordem sem imperativos; sexo sem penetração; educação sem invasão; arte sem dor; poesia sem sangue; vida sem morte.
Não somos vegetais, meu bem.
22 de setembro de 2013
Escolhendo o campo de batalha
Os subprodutos estéticos da ciência
21 de setembro de 2013
Estrelas explodem
20 de setembro de 2013
"Desculpe"
19 de setembro de 2013
18 de setembro de 2013
Criminosamente coerente
3 de agosto de 2013
1 de agosto de 2013
O início de um estudo sobre as virtudes do trabalho
22 de julho de 2013
20 de julho de 2013
A contradição daquela que os cria e a força daquele que os detém – Sobre os chifres
2 de julho de 2013
Cansado demais para chorar
29 de junho de 2013
24 de junho de 2013
6 de junho de 2013
2 de junho de 2013
A consumação não é necessária para a verdade
E o amor de Romeu e Julieta - o nosso amor, por excelência - não é o mais real de todos os amores? O amor que quase aconteceu? Que, por uma confusão de trinta segundos, deixou de ser?
Que por uma confusão de trinta segundos deixou de ser.
22 de maio de 2013
Escondendo as morais com a moral
20 de maio de 2013
19 de maio de 2013
Amor de filósofo
Jovens "alienados"!
Um homem de poucos bens
Violência assistida
10 de maio de 2013
6 de maio de 2013
Confiar é abandonar
O que significa confiar? Quem diz ‘Eu confio em você’, está dizendo: ‘Acredito que você vai tomar a decisão correta’. E se você realmente acredita – se você realmente confia – em alguém, então você não precisa ajudá-lo a tomar nenhuma decisão. Confiar totalmente em alguém é deixá-lo sozinho – como o pai que solta a bicicleta, porque confia que o filho vai conseguir. Confiar é soltar. Confiar é abandonar.
O maior de todos os abandonadores é Deus. Porque Ele fez os homens e depois se foi, dizendo: ‘Confio que fareis o bem’. Deus acredita que faremos um bom uso de nosso livre-arbítrio e que usaremos de nossas capacidades para fazer as coisas certas e boas. E ele não confia e fica olhando! – como a mãe que apenas finge que confia no filho brincando, mas segue-o, nervosa e impecável, com o olhar – não! Deus confia totalmente em nós. Isto é: Deus nos abandonou.
Pensam, meus amigos, que faço aqui um elogio ao abandono? Não mesmo. Trata-se, antes, de uma crítica à confiança! Eu tremo só de imaginar o que seria de nós, caso nossos artistas e pensadores tivessem confiado no mundo e nos homens; o que seria de nós, se tivessem dito “minhas obras são desnecessárias, porque acredito que o mundo vai se ajeitar sozinho”?! Não! Nós, artistas e pensadores, precisamos desconfiar do mundo e dos homens; não acreditamos que seguirão, sem a nossa ajuda, o melhor caminho. Nisso é necessário que sejamos mais responsáveis do que Deus.
Porque eu estou cansado de ver homens se colocando na posição de Deus e “confiando” em outros homens e no mundo, esses que acreditam que “tudo ficará bem no final”, esses que acreditam que “o tempo cura”, esses que escolhem trabalhar de 8h às 18h, esses que não checam o dever de casa dos filhos, esses que não questionam a escolha da profissão dos amigos, esses que têm medo de se intrometer – a confiança que depositam nos outros é a sua desculpa para que se abstenham de cuidar deles. Esses confiadores, esses respeitadores, esses - - abandonadores! Não confiar: ajudar! Chega de deixar os outros sozinhos. Que confiemos nos nossos pais ou em nossos ex-namorados! - mas de nossos amigos, de nós mesmos, dos nossos amores? Desconfiar sempre! Porque de outro modo seria um crime. De outro modo seria um abandono.
É por lealdade e por amor que desconfiamos de uma mulher. E aqui, como em todo lugar, amar uma mulher não está muito distante de amar a verdade: é preciso fugir das contradições, ser sincero e leal, aliar-se à justiça, buscar o prazer e a liberdade, atentar-se aos detalhes, buscar o que há por debaixo, não ter vergonha da nudez, fazer-se belo, divertir-se com ela, brigar por ela, render-se a ela, olhar as nuvens e sorrir. Não pode ser bom filósofo aquele que tem medo de mulher.
20 de abril de 2013
Um texto escrito em caderno, depois de tanto tempo
“Por que não consigo ser como o Renato?”, eu perguntava a mim mesmo, enquanto o ouvia no carro. Por que eu não consigo ser singelo como ele?, por que eu não consigo fazer poesia desse jeito sincero e simples?
Eu invejo o Renato, mas não pela sua fama ou pela sua capacidade artística. Eu não consigo ser como o Renato, não consigo fazer poesia nu desse jeito, porque eu tenho vergonha. Eu invejo a falta de vergonha do Renato.
Uma vez a minha irmã disse “Puxa, eu tenho a impressão de que ele sofreu muito”, e isso me deixou com raiva, “Não, ele só viveu sinceramente!”, eu disse, “Ele não sofreu mais do que ninguém”. Ele não sofreu mais do que eu. Mas eu acho que é bem fácil ter a impressão de que o Renato conheceu a solidão, a tristeza e o amor.
Aí eu pensei: “Na verdade, é bem fácil imaginar que ele tenha sido órfão”. Num sentido profundo, metafórico, não no sentido literal. Mas é importante isso, porque a minha vergonha tem a ver com eu não ser órfão e, mais que isso, não poder ser órfão. Meus pais me matariam, se eu me tornasse órfão.
Eu tenho vergonha de me admitir triste e sozinho, porque isso seria uma traição às pessoas que deram a vida para a minha felicidade e estiveram sempre ao meu lado. Eu os ofendo com a minha tristeza, eu os ofendo com a minha solidão. Nem me pergunte sobre o ciúme (que tem, afinal, um pouco de tristeza e de solidão), pois este é o mais ofensivo dos sentimentos.
Eu invejo o Renato Russo, porque ele não tem vergonha de admitir que é órfão. Triste, sozinho e sedento de amor. Eu também. Eu também sou órfão. E não somos todos?
17 de abril de 2013
Consolo só para os alegres
As coisas não são como desejamos que sejam.
Isso significa que várias vezes elas são muito melhores do que podíamos imaginar!
Pergunte ao garoto que você era há uns cinco, seis anos atrás… Você sinceramente poderia imaginar que teria vivido tantas coisas quanto viveu? Você sinceramente não se orgulha de ter tido a capacidade e a oportunidade de sentir as coisas que sentiu?
Ora, ora! Eu acho mesmo que a sua tristeza de agora é em grande parte um defeito de perspectiva! Porque eu te conheço, e eu sei como você era triste. Você se sente o mais triste dos seres agora, mas você se sente assim porque está se comparando à maior das felicidades! Porque você sentiu, sim, a maior das felicidades! Enxerga-se nos seus olhos a sua capacidade para a alegria!
A versão de você que vive hoje – é a melhor versão de você. Você viveu e cresceu, e tem se tornado cada vez mais bonito. Eu tenho orgulho de você. Eu te amo. Agora só falta você
15 de abril de 2013
A menor distância
A menor distância entre duas pessoas não é quando elas se encostam. É quando uma mora no coração da outra.
10 de abril de 2013
7 de abril de 2013
Um brinde jovem!
Aquele senhor nasceu muitos anos antes de você e diz que tem mais experiência e que, por isso, você deve ouvir os seus conselhos. Mas não se engane: as experiências que ele tem, que ele acumula em maior número e duração que você, são experiências de fuga da vida – é isso que ele fez nesses anos todos! Experiências de vida – dessas você tem! e em grande número e grande intensidade. É preciso desmascarar falsas autoridades. E é preciso que você entenda a importância e a magnitude das vivências que você tem e acumula. Somos irmãos de vida, eu e você. Comemoremos longe daqueles velhos!
6 de abril de 2013
Não somos autoridade de nós mesmos!
No melhor lugar do universo
Eu nunca senti que podia chamar as casas em que morei de lar. Hoje eu descobri que existe uma diferença entre um espaço e um lugar, e a intuição que eu sempre carreguei na minha vida – de que nunca acharia um teto sob o qual eu pudesse me sentir “em casa” – fez mais sentido. Um lar não é feito de alvenaria e concreto. É, antes, o lugar em que podemos ser o que nós somos; onde chorar é, além de confortável, prazeroso; onde a vontade de não-viver é impossível; onde o descanso é perdoado; é para onde o amor volta.
Hoje eu descobri, meu amor, que eu quero morar no seu peito. Lá, que é o melhor lugar do universo. Lá, que é o meu lar.
3 de abril de 2013
Acordando o instinto de verdade como quem acorda um urso com um taser
Você lê um dos meus textos de uma frase só e tem vontade de dizer apenas uma coisa: “Isso não é verdade! Não pode ser verdade!”. Quando isso acontece, eu sei que posso dormir tranquilo, com a certeza de que minha missão se cumpriu.
Por um mundo sincero
“Como há pessoas más no mundo! São muito mais numerosas do que as boas, certamente!”, exclama por aí o populacho ao se deparar com as tragédias de cada dia. Sim, talvez seja verdade que haja no mundo uma quantidade estranha e talvez incontrolável de maldade, mas… atribuí-la aos maus? A maldade que é causada pelos maus nem dói tanto assim! Mas vocês não sabem disso!, porque nunca viram alguém mau, genuinamente mau -– de fato eles são poucos e raros. Não, meus amigos, se há maldade no mundo… ela não é causada pelos genuinamente maus, mas pelos ingenuinamente bons. Desses o mundo está já há muito sobrecarregado.
Matando sujeitos
Você amamenta o seu filho para que ele pare de sentir fome - ou para que você pare de ouvir o choro?
Sua monstra.
31 de março de 2013
Puro, simples, livre
Como os sentimentos de um homem depois de chorar.
Uma alegria calma, de quem olhou pra morte e voltou.
Sem correntes, sem espinhos, o mais livre dos andarilhos – o mais pequeno dos caminhantes, porque se sabe pequeno.
E ao mesmo tempo enorme, do tamanho do universo, exatamente do tamanho do próprio corpo, porque é corpo.
Corpo - perdoável, salvável, inocente corpo – corpo de criança.
É preciso se desfazer por completo das palavras, pra que elas possam ter finalmente significado. Porque é como se o mundo pela primeira vez tivesse significado – e é verdade: o mundo começa agora.
E agora, agora!, meu amor, agora eu te amo.
30 de março de 2013
26 de março de 2013
Somos todos bombeiros
Nada do que é humano nos é indiferente.
(Nem a maldade, nem a injustiça, nem a mentira, nem a covardia, nem o desespero, nem a desrazão. Como é difícil ser bombeiro.)
24 de março de 2013
Musculatura
Quando você transa ou se masturba… A sua cara parece como a de alguém que entra em um banho quente ou come um chocolate divino –- ou você tem aquela cara de quem tá na cadeira do dentista?
Às vezes eu tenho a impressão de que a saúde começa nos suspiros.
23 de março de 2013
22 de março de 2013
21 de março de 2013
Não ao não-sofrimento!
19 de março de 2013
O que é mais importante
Não concordo com tudo o que eu escrevo.
Mas existem coisas que são importantes demais para que eu deixe de as escrever só porque não concordo com elas.
18 de março de 2013
Brincadeira de criança
Existem sentimentos. Existem crenças sobre esses sentimentos. E existem sentimentos que acompanham essas crenças.
Por exemplo:
Ele se sentia triste. Acreditava que tristeza era sinal de fraqueza. Teve raiva de si mesmo, por se achar fraco, por ter se sentido triste.
Ela sentia raiva. Acreditava que sentir raiva mostrava ingratidão. Sentiu-se culpada, por se achar ingrata, por sentir raiva.
Ele sentiu ciúme. Acreditava que sentir ciúme só era possível caso houvesse posse. Sentiu nojo de si, por se achar possessivo, por ter sentido ciúme.
Ele e ela sentiram medo. Os dois acreditavam que medo era conseqüência de um perigo real. Ele passou a acreditar que os negros eram perigosos. Ela acreditava que considerar os negros um perigo, era um crime racista – e se sentiu pecadora.
Asseverar sobre as crenças -- e sobre os sentimentos “secundários” por elas gerados… é divertido, mas um erro. Você nunca estará errado, no entanto, se apenas tentar descobrir quais eram os sentimentos “primários” – desçamos juntos a escada em espiral que nos leva ao nosso cor. E a partir de lá, e apenas de lá, criaremos nossas próprias crenças. E, com eles, outros sentimentos secundários.
Como a criança, sentindo-se forte, que inventa dragões para matar.
14 de março de 2013
A noite é mais escura…
Usei um novo creme para espinhas e estou me sentindo muito melhor. Mas a verdade é que minhas espinhas estão agora mais visíveis, e não menos!
Meu caro, é assim mesmo: antes de deixar o corpo, as impurezas deverão se aproximar de sua superfície. O processo da cura frequentemente inclui um agravamento dos sintomas – mas isto faz parte, e não se deve temer.
12 de março de 2013
Conselho para os que não estão chorando
A tristeza frequentemente produz um relaxamento nos músculos que é extremamente prazeroso.
Você pode estar triste e em sofrimento, mas provavelmente a sua tristeza não é a causa do seu sofrimento. Descubra qual nó está tencionando os seus músculos, desfaça-o e chore.
Um desejo
Que sejam médicos antes de se tornar curandeiros.
Que sejam cientistas antes de se tornar profetas.
Que eu seja homem antes de me tornar escritor.
Que ninguém precise ser adulto!, antes de se tornar criança.
9 de março de 2013
Sobre quem eu não sou
4 de março de 2013
Era uma vez
Era uma vez um menino que morreu de solidão.
Um dia, ele renasceu como uma fênix.
Mas aí ele morreu de novo.
24 de fevereiro de 2013
Venderam-te o que não querias, por um preço que não sabias.
Não é engraçado… Quando agem para comigo “por caridade”, não só eu sinto que não ganhei nada, como tenho uma estranha sensação de estar em dívida com aquele que foi caridoso.
20 de fevereiro de 2013
Você a ama, mas…
… Gostaria que ela tivesse menos fontes de prazeres.
O seu sadismo, eu não o desprezo. Eu o entendo. Entenda-o você também. E considere a sua crueldade um sintoma de um amor doente.
12 de fevereiro de 2013
Para quê e para quem
Nem sempre a nossa literatura a gente consegue fazê-la para os outros. Não deixe de fazê-la por isso.
Fazendo as pazes com a solidão
Havia um tempo em que era apenas eu. Eu acho que eu cheguei a escrever nesse tempo e é provável que eu o encontre em fragmentos antigos, os meus garranchos evidenciando minha idade imatura. Eu ficava à noite sozinho olhando pros céus, do lado de fora da casa, e eu tinha apenas os meus pensamentos como companhia. Às vezes eu experimentava respirar diferente, às vezes eu subia no parapeito, às vezes eu entrava na piscina, às vezes eu tocava violão pra lua, às vezes eu ficava pelado. Eu sinto saudades daquela casa. Que não é mais minha. Eu nunca chorei por aquela casa. Eu tenho tanto por chorar. Eu chorei muito em volta daquela piscina. E eu pensei tanto. E eu me dava bem comigo mesmo. A minha mente era, e continua sendo, muito traiçoeira e terrível. Distorcia as coisas, mudava-as de lugar, fazia-me um merda. Mas, assim como eu tinha essa mente torturada, eu também tinha vários jeitos de me sentir melhor. Ou talvez eu só os tenha desenvolvido precisamente porque eu tinha essa solidão a meu dispor. Eu era sozinho. E a minha solidão foi muitas vezes fonte de grandes prazeres. De grandes alívios. Ai, é verdade, eu sofria muito. Mas não era a minha solidão minha inimiga. Não… E eu acho que eu a tomei por inimiga. Eu gosto de pensar que boa parte das minhas qualidades, inclusive das qualidades que me fazem ser amado, é de responsabilidade minha… Que eu batalhei por essas qualidades a custo de muita solidão. Porque é lindo o homem que consegue viver consigo mesmo. É lindo o homem que sabe que contém em si um inimigo à espreita, mas que o vence com um olhar penetrante e alguns momentos de silêncio. AI! Quando e por que eu fiz do silêncio um inimigo? É verdade, eu falava muito pouco. É verdade, eu era assimétrico nas minhas conversas – e ainda sou. Mas isso não tinha nada a ver com o silêncio que eu gostava de cultivar… Que não era silêncio: eu freqüentemente falava sozinho em voz alta, escutava música alta, cantava alto, ou chorava baixinho. Silêncio e solidão. É, eu definitivamente já escrevi sobre isso. Eu estou revivendo algumas coisas agora. Eu estou fazendo as pazes com amigos antigos, que confundi por inimigos nos últimos anos. Eu estou reganhando a capacidade de fazer, sozinho, com que eu arrepie os pêlos. Isto é, com que eu cause em mim mesmo emoções e sensações fortes. Porque a minha solidão nunca representou uma diminuição da minha capacidade de sentir as coisas. Pelo contrário: várias vezes foi apenas nela e através dela que eu podia sentir. Maldito aquele que me disse que é inútil o sentimento que não é comunicado. Maldito egocêntrico aquele que não suportava o meu silêncio. É verdade, eu tinha sérias e profundas e difíceis cicatrizes que me tornavam desprazeroso comunicar-me com os outros… Eu ainda tenho. Eu ainda sinto vergonha dos meus sentimentos, e ainda é difícil comunicá-los. Mas isso não significa que eu não deva me esforçar por senti-los, do jeito que me for possível. Desse jeito só e silencioso que eu fazia à beira da minha antiga piscina. Escrevendo esses textos difíceis de se decifrar, que não falam sobre os sentimentos, mas como que os indicam, às beiradas, tangencialmente os indicam. É um texto que busca amigos. Amigos na solidão. É na solidão que eu me perdôo, porque é nela que eu percebo a maneira como por tanto tempo eu fui abusado e os motivos que me levaram a me expressar desses jeitos mais tortos e impenetráveis. Eu consigo ver a formação da minha couraça e o momento em que eu a chamei de armadura – e também o momento em que eu me ressenti de tê-la criado. O momento em que eu ressenti ter nascido, porque dói muito. E no entanto… eu sou tão normal. Eu pareço tão bem estruturado. Eu não sôo como esses adolescentes sofredores que morrem todas as noites. Eu sôo… Eu sôo como um soldado voltado de guerra. A psiquê toda fraturada… a capacidade para o prazer profundamente abalada e o sentido da vida e a crença em deus… irrecuperáveis. De que serve um soldado em tempos de paz? Pra que sirvo? Os beijos que me dão, eu os sinto como panos umedecidos colocados por sobre minhas feridas: carinhosos, é verdade, mas um alívio muito mais do que um prazer. E no entanto… eu amo tão intensamente. Quem são esses personagens que te habitam e que você tenta expulsar? Esse padre, essa mulher que apanha, esse veterano de guerra, esse filósofo, esse semideus. Eles precisam de espaço - e eles não vão te matar. Dar-lhes espaço não vai ameaçar ninguém, definitivamente não a você. Eu concordo: esse homem que vive sozinho, à noite, soturno e lupino, conversando consigo mesmo, não é homem que vai ser amado, violentamente amado, por uma grande mulher (talvez por um amigo). Mas você pode guardar com toda a certeza no seu coração que ele é essencial para que você se torne amável. Ele te torna grande, principalmente porque ele é parte de você. E como é lindo o homem que dá as boas-vindas a todas as suas partes. O que é esse texto e pra quê ele serve? Acho que ele serve para mostrar que eu ainda estou aqui, que eu ainda te amo, que eu ainda tenho muito carinho por ti, e que você sempre pode contar comigo… Basta um pouco de silêncio. Eu prometo tentar te ajudar. Eu sou uma parte de você. É impressionante como a sua capacidade de amar aumenta, quando você se ouve e se acolhe um pouco. Eu sempre vou te acolher. Os que te abusaram moram no seu passado e eles não podem mais me te ferir, porque eu não vou deixar. Basta que fiquemos juntos. Juntos somos mais bonitos e mais fortes. Mas é preciso que você me receba. São meus amigos todos aqueles que se acolheram, que se permitiram ser acolhidos. Eu amo todos vocês.
Enigma
“Consigo aferir o seu estado de saúde com base na qualidade dos seus textos.”
“Ficam melhores quando estou sofrendo ou quando estou saudável?”
“Prefiro deixá-lo na dúvida.”
Ouve teus conselhos de adolescente
O amor não pode se tornar uma distração. Ele não cura sintomas - ele os faz desaparecer. Mas não se engane: eles reaparecerão. Maximizar o amor – superdimensioná-lo – fará apenas com que seus sofrimentos pareçam comparativamente menores. É no pêndulo entre o amor e o não-amor que melhor você vai conseguir se enxergar. Não segure este pêndulo. Não use o seu amor para fugir de si. Use-o para se perceber. Para, então, poder amar mais e melhor. As coisas prazerosas da vida não precisam de mais tempo ou energia do que espontaneamente somos capazes de lhes dar. Atente-se sempre às horas em que você estiver desviando energia de outro lugar, sentimento ou coisa para o amor ou uma brincadeira ou um trabalho (para nós que consideramos o trabalho um prazer, é claro): isso é o começo de um vício e com ele você diminui o amor, a brincadeira ou o trabalho – não o enobrece. Porque a nobreza está em dispensar às coisas apenas a quantidade de tempo e energia que elas nos pedem. O amor tem um tamanho: tentando aumentá-lo, diminui-lo-á.
8 de fevereiro de 2013
5 de fevereiro de 2013
Moralista de si mesmo
2 de fevereiro de 2013
"Consolo"
ou
Cuidado com os sintomas sutis!