Discordar sinceramente de um amigo é a maneira mais profunda de respeitá-lo.
14 de fevereiro de 2017
13 de fevereiro de 2017
Como o sol precisa da sombra
12 de fevereiro de 2017
Alma de balão
A vergonha é o medo de não caber em si mesmo. (Por isso ela nos fura: tem como objetivo nos definhar para que, esvaziados, ocupemos menos espaço)
Os nãos que preparam o sim
Entre dois encontros há um hiato insuportável, durante o qual viajamos desacompanhados por longas eternidades. Cuidemos, porém, para não nos precipitarmos em meias companhias, por receio de que o sol do outro nunca mais brilhe. Em vez disso, devemos nos agasalhar, como quem se prepara para longo inverno, e acumular solidões. Entesourar!: isso nos pede o poeta. Calmamente depositamos fé no futuro, seguros de que, tal como o verão, o grande encontro virá. Nossa solidão é a energia potencial da nossa alma: transborda tão logo encontra vale profundo o bastante onde se derramar. Até lá, nossa tarefa é engrandecer — e tanto maiores nos tornamos quanto mais solidões comportamos.
10 de fevereiro de 2017
Dar à luz em várias vozes
Na vida haverá momentos em que ficaremos nervosos e nossas mãos tremerão, incapazes de se conter em si mesmas — e nesses momentos, como em todos os outros, há que se escrever. E há os escritores que só escrevem quando nervosos. Embora admiremos essa capacidade de segurar firme a pena apesar dos tremores, temos de nos lembrar que a vida escreve em todos os momentos, não só quando urge, e se quisermos escrever nossos livros como Deus escreveu o mundo teremos que nos tornar escritores ambidestros. Pois a ânsia e o desejo e a alegria e o tremor — essas são coisas que se tem e que não se tem. Você, meu amigo, está perto de conseguir escrever com raiva e eletrizante tesão — mas, lembre-se, a calmaria é tão maternal quanto a tempestade. Nesse seu caminho, você terá que aprender a ser como mar: e isso inclui suas ondas as mais altas mas também seus momentos de laguidão onde a sua alma é o maior espelho do céu. Não será fácil e sentiremos falta de nossos tremores, agora que depois de tanto custo nos acostumamos a eles, mas mire a si mesmo nos olhos e reencontre aquela grandeza domadora de chamas que existe dentro de você: aprenda consigo próprio a paciência.
9 de fevereiro de 2017
Tornar-se estrela
Não devemos nos envergonhar de nossa história. Acima de tudo, quando nos faltarem consolos, é preciso que nos lembremos da nossa maior força: o esquecimento. O maior milagre da vida é ter feito as memórias perecíveis. Fossem hereditárias, não aguentaríamos sequer três gerações — raios!: se não dormíssemos e esquecêssemos, não aguentaríamos três dias. O mundo é novo porque esquecemos. Lembrar é reagir. Esquecer é criar. Tudo transformaremos e como crianças desenharemos os mesmos traços e amaremos de novo e de novo, como se não tivéssemos passado. E não temos. Porque na verdade não há amanhã. Eu e você somos dois nadas que, intransigentes, ousaram contentar-se. E o que torna um átomo mais ou menos carregado? O que faz com que tenha um ou três prótons, um ou dois elétrons? Quanta erótica não há na mais microscópica das físicas? Esqueçamos! Somos partículas. Nosso amor, nossa vontade, é intransigência divina: modificamos a nós mesmos, encarnamos o universo: e perecemos. Acima de tudo perecemos.
Mas, enquanto isso, amamos.
Temos alguns trilhões de anos até que todos os sóis se apaguem. O tempo urge! Muitas poesias precisam ser ainda compostas antes que a humanidade — ou o que quer a suplante — possa aprender a viver. Educá-la na beleza: essa é a nossa tarefa. Amar e esquecer: como o carvão esquece de si ao queimar. Somos velas no breu universal. Queimamos e por um breve instante vê-se algo — sombras, silhuetas, cores, detalhes, olhares inteiros se criam para as velas — até que apagamos. Não choremos nossa finitude: morremos porque queimamos. E nós: não temos vergonha de queimar. Não devemos nos envergonhar de nossa história.
4 de fevereiro de 2017
Qual era mesmo o nome? Aurora?
Dormiu então, só e com sede, porque quem sabe o dia de amanhã não traria consigo um ineditismo na alma e de repente tudo fosse novo e diferente e de repente não mais quisesse morrer e talvez viver até lhe soasse bom. Então pensou se deveria tentar buscar companhia e ajuda, mas se resolveu por se abandonar na solidão triste porque era isso mesmo que ele provavelmente merecia. E dormiu.
O horroroso
E ele escrevia e escrevia como se escrever fosse seu modo de sentir esperança, e tão desesperadamente ele escrevia, ávido de esperança, porque nele tudo estava morto, não podia passar um minuto que fosse sem escrever, pois cada minuto era desesperança eterna e dor e choro, e para não chorar precisava escrever, mas às vezes escrevia mesmo chorando, molhando as palavras conforme avançava no papel. Ninguém tinha tanto choro quanto ele, porque não havia alívio para seu choro. A escrita não era alívio, era desespero. Desesperado procurava um rastro qualquer nem de força, mas de simpatia por si mesmo que fosse, desesperado não encontrava, porque nada, nada nele poderia ser salvo, tudo nele era monstruoso e feio e ordinário e quando o poeta lhe tentava convencer da grandeza ele só chorava mais e mais, até conseguia agradecer ao poeta, porque apreciava ser por ele simpatizado e como que um pouco amado, mas acima de tudo precisava se amar e isso ele não podia, não conseguia. Por si mesmo não havia uma única gota de amor, como se fosse todo ele não uma coisa que sente, mas a coisa que bloqueia e criminaliza o sentimento. Ele portanto não se identificava com, não se sentia, si mesmo, com seu eu que sente e pensa e escreve, ele se identificava com as repressões que sentiu, os Nãos que viveu e que ouviu e que obedeceu. E é claro que se odiava porque essas repressões são odiaveis e terríveis e são jaulas cruéis a que ninguém deveria ser submetido, muito menos uma criança como ele. Mas ele era sua própria jaula e se sentia não como o enjaulado, mas como as grades. Tudo que queria era poder chorar como a fera enjaulada, sentir a própria dor de ser enjaulado, mas nem isso ele tinha. Nem a solidão de escravo ele tinha, porque nem escravo ele se sentia. Ele se sentia o carrasco de si próprio como se fosse a sua própria mão que lhe chicoteasse as costas, como se ele fosse o mais imoral dos senhores, o monstro em si, o tenebroso, a sombra, ele não tinha luz ele era o peso e o teto e nada nele merecia carinho, tudo nele era em vez disso coisa ruim, endiabrada, invejosa, má, terrível e só. Escrevia para tentar fugir de si, para tentar alcançar a sua fera interior, enjaulada, para tentar dar-lhe voz e quem sabe — quem sabe por um segundo apenas — sentir-se o dono dessa voz! Dessa voz bonita que pelas palavras ele fazia sair, dava corpo. Mas não, seria sempre um estrangeiro em relação a essa voz de fera, no máximo lhe daria corpo através das palavras, sem nunca sentir em si mesmo a sua força como sua, mas sempre alheia, sempre segunda, nunca sua, nunca sua nunca sua. Suas eram as grades, os chicotes e as punições, ele era o seu próprio carrasco e se odiava e era incapaz de se amar, completamente incapaz, restando-lhe apenas o desespero de escrever e quem sabe escrevesse algo tão bonito que a beleza arrebatasse sua alma e ele sentisse um raio de sol no rosto e por um segundo se iluminasse e se sentisse merecedor do amor de deus, do amor de si mesmo. Mas a iluminação nunca veio e deus nunca o amou, e ele permaneceu inatingível pelo próprio amor que tinha dentro de si, quer dizer dentro da fera, que não era ele, porque ele não se sentia fera e não se sentia um com a fera. Escrevia sem parar, escrevia até os pulsos doerem e as pontas dos dedos calejarem, escrevia rápido e com pressa, porque nada era mais urgente do que sentir-se a si mesmo como pessoa, como um eu, e não conseguia e a cada frase se esforçava mais, vomitando as entranhas que encontrava na expectativa de um dia quem sabe se encontrar e se sentir fera, mas não se sentia. Chorava, chorava, chorava e escrevia. Não havia ser mais lindo do que ele no universo e no entanto ele chorava, porque não merecia e porque não era capaz de se amar. E chorava, não como consolado, mas como desesperado, entregue, sem esperança e sem nada. Sem alma, já totalmente do diabo, morto, barroco, dado, feio, amaldiçoado, maldito, terrivel. Ninguém o salvaria, ninguém o salvaria. Ele morreria afogado em sua tentativa de ser quem era, mas nunca seria, sempre arriscaria de longe, sempre tentaria canalizar seu eu, mas sempre fracassaria, sempre morreria na praia, incapaz de ser mar, incapaz de qualquer força, invejoso de todo mendigo e de todo preso, porque eles pelo menos sentiam-se si mesmos e ele não conseguia se sentir nada, apenas carrasco, apenas choro desesperado e horrível de quem se sente verdadeiramente mau e indigno e impuro e quem só os fogos infernais merece porque nada nada naquela alma se salva e a fera morreria com ele, impotente e inocente, tão bonita e tão ávida de dizer as coisas que tinha pensado, mas não poderia porque ela não tinha corpo e esse corpo que a enjaulava não a merecia e era melhor que explodisse e definhasse e se encerrasse ali todo o sofrimento. Que assim fosse porque qualquer morte é melhor do que isso, essa existência que não se conhece nem se reconhece, que é apenas a matadora da liberdade, o assassino, o carrasco. Morre de uma vez. Mas nem pra isso tinha coragem, nem pra isso nem pra nada.
Nosso espírito
Apenas duas coisas são sagradas no reino dos homens: a linguagem e o corpo. Ela, porque é o barco que nos leva para além, que sempre nos levou e continua a levar, apontando e apanhando o que nossos braços são curtos demais para alcançar, pequenos demais para envolver; ela é, assim, como que o nosso maior órgão, maior até do que os olhos (que enxergam até o horizonte) e do que as pernas (que a todo lugar nos levam), pois só na linguagem temos o infinito. Ele, porque é o palco onde tudo acontece, a panela de pressão de onde sairemos nós mesmos; tudo o que é e onde tudo se encerra, pois nada acontece fora do corpo e nada está para além dele; e principalmente porque é no corpo que sentimos — — outros corpos (repare que a linguagem, por enorme que seja, não atinge outras linguagens, mas apenas atinge outros corpos, pois somente corpos são atingíveis). É nesse binômio corpo–linguagem que nos localizamos – nós, poetas! Nós, poetas: os aradores da única religião que sobreviverá ao futuro, a única religião que jamais existiu. Apenas duas coisas são sagradas no reino dos homens: a linguagem e o corpo.
Capítulo 3 — Milagre no expresso
Foi então que tomado de coragem se levantou de seu assento, sorrindo com uma leveza de criança, embalado naquela indiferença à própria vergonha que subitamente o arrebatara, e prefaciou sua fala cuja quentura já sentia na barriga com a pergunta: "Senhoras e senhores, vocês se incomodariam se eu invadisse o silêncio desse trem para ler uns trechos deste livro?" e tinha de ser econômico e direto, pois falar para um grande público, aquelas dez ou doze pessoas naquele vagão, requer destreza discursiva tal que não se deve alongar as frases e disso ele sabia bem, mas em seu coração se justificava (silencioso por fora) "é que tem beleza demais aqui e nada me daria mais prazer do que dividir essas belezas com vocês, estranhos que abençoam meu caminho" e em seu olhar se notava aquela audácia de ator mirim, orgulhosíssimo de sua própria interpretação, sorrindo no palco da vida, e naquele vagão pelo menos uma jovem e um idoso foram capazes de se emocionar com aquele olhar e positivamente acolheram-no com a cabeça; o restante dos passageiros manteve-se em silêncio mas isso era tudo de que ele precisava: bastava que não protestassem que, sabia-o, daria a si mesmo a permissão para começar seu doce espetáculo e, sem tomar fôlego, logo começou:
3 de fevereiro de 2017
Prescrição para quem sofre de pequenez aguda
Dicionários de si
2 de fevereiro de 2017
Das entranhas!
A poesia arranha a alma. Sim, meus caros, para ser poeta é preciso ter a alma arranhada. Têm certeza de que é isso o que desejam? Ora, de onde vocês achavam que vinha o sangue com que escrevemos?
27 de janeiro de 2017
Paciência, pero no mucho!
23 de janeiro de 2017
Prece tardia
22 de janeiro de 2017
Clara apologia
O motivo pelo qual tenho acordado de tão bom humor é que tenho sonhado. Coisa estranha aconteceu à minha amiga, que comigo experimentou a melatonina: teve pesadelos, horríveis pesadelos, e se arraivou de mim quando lhe contei que era esse um dos efeitos, e afinal motivos, da substância. Ocorre ser a melatonina, diferentemente de alguns remédios, não uma fuga mas o seu contrário: ajuda ela a não fugir dos sonhos (e, sim, também pesadelos), portanto, a não fugir de si. Com isso recebo ajuda para ir ao meu encontro. A melatonina é o meu óleo de coco.
21 de janeiro de 2017
Fala a alma de artista
16 de janeiro de 2017
Duas galáxias conversam
"Mas eu amo o teu fogo — quem não se queima não vive. Não confias na minha capacidade de sobreviver? Ora, achas-te tão maior que eu assim? Como poderei compartilhar contigo o que me dói, se nem a ti mesmo pareces aguentar?"
"Não nascemos para o fogo, querida. Poupo-te assim. Soframos menos."
"Claramente não entendes do sofrer. Vive e queima! — assim dita meu evangelho. Na vida não tenho medo senão de me acinzentar — nada que é vermelho me enfraquece. Acaso pensas que te amo as partes apagadas? Queima comigo, meu amor! É tudo que te peço. Do mundo faremos gloriosa fogueira."
"Tinha razão o sábio: diamante e carvão não se dão — pois embora os dois brilhem, só um sobrevive à combustão."
"Sinto muito. Vou."
"Eu mais ainda. Vai."
Gatunos na dor e no amor
As garras mais afiadas são retráteis. Duas lições há aí: primeira— mansidão é algo que se finge; segunda— arranhadores ferozes também acariciam.
13 de janeiro de 2017
Advinhar o mundo
Cartomantes do destino somos nós. Tecelões da realidade, costurando impressões — preguiçosamente curiosos somos nós, dos deuses roubando ~ aos homens e-levando. Poetas somos nós!, urubuzando os cientistas, apenas o suficiente para satisfazer-nos a alma. Filósofos somos nós, da barriga pensadores, ar negro expiramos conforme filtramos os brilhos — ex-cegos somos nós!, acavernados em nossa pequenez, de sombras gigantes os ventríloquos; em tudo bruxos, a tudo feitiços. Nossa incompreentude é nossa tolice favorita. Mas que seriam os grandes homens — sem nossa diversão?
Lição de a anos-luz
Não se preocupe com o brilho. Para ser estrela é preciso em primeiro lugar que exploda.
Caridoso com as próprias violências
Não sejamos duplamente maldosos: nós, que somos maus por natureza, devemos — em nome da bondade! — preservar nossa maldade. Amá-la! Com isso incentivamos a bondade nos bons, pois tudo que é fiel à sua natureza aumenta a esperança no mundo, mesmo quando pareça destrui-lo.
Melhor dizendo: mesmo quando o destrua.
Quando um mau censura a própria maldade, duas maldades foram cometidas. Fazer tanto o bem quanto o mal — sem censura! Essa é a nossa receita para um mundo que padece de insinceridade.
Melhor dizendo: essa é a nossa receita para um mundo que padece.
6 de janeiro de 2017
11 de dezembro de 2016
Montanhistas da saúde
Nem todo romantismo adolescente se baseia em inverdades. Deve-se olhar com compaixão ao garoto que à oportunidade de convalescença prefere arraigar-se nos seus sofridos porém conhecidos pesadelos. Não é que ignore o que sofre ou deseje a dor que sente; tampouco se esquiva de admitir-se doente. É que das profundezas de fato nascem alguns belos versos e resplandecem certos brilhos (que sob luz mais forte não medrariam). Também os olhos e os músculos da face acostumam-se ao franzir constante mas delicado que a meia-luz obriga — há sabedoria nessa testa! há agudez nessas pupilas!. Mesmo que se ressinta (isto é: que se apaixone pelo seu sofrer), nenhum tolo nega sua potência, pois tudo o que vive --- tem potência ------- e mais ainda o que sobrevive! O medo do romântico tem sua razão de ser. Os prazeres de que fala, ele os sentiu sim, não lhos neguemos. Consertemo-lhe apenas a falsa crença de que a luz elimina o que se podia ver na escuridão. Não só nossas cavernas nos farão companhia por toda a vida, mas lembremos que temos pálpebras — o órgão do descanso e o órgão da humildade: para os humanos, ver é sempre uma escolha. O ar daqui de cima te fará bem, meu caro, e eu prometo que o que aí embaixo te inspirou se encontra não em volta de ti, mas no teu interior; não o perderás, porque está sempre contigo. Aqui em cima, o único risco que corres é o de tornar-te quem és.
9 de dezembro de 2016
23 de novembro de 2016
Brevidade na desrazão
Um pequeno jejum — como uma pequena loucura — nunca fez mal a um pensador. O risco que os religiosos correm é o de tomar asco da comida, isto é, de acreditarem em seu jejum.
Sem explicitações
22 de novembro de 2016
Pontes de palavras
Para que nossos futuros nos herdem melhor
As vítimas do silêncio
10 de outubro de 2016
3 de outubro de 2016
Consolo para os que se sentem improdutivos
Para a liberdade um treino
Escrever para se limpar
A felicidade como armadilha
8 de agosto de 2016
7 de agosto de 2016
As renúncias cobram juros
17 de julho de 2016
Uma criança
12 de julho de 2016
A defensividade é um narcisismo
29 de abril de 2016
5 de abril de 2016
20 de março de 2016
Os que desmancham
Apenas os destinos retilíneos são previsíveis
Perseverança
5 de fevereiro de 2016
Após o crepúsculo
O vale do cinismo é o mais tenebroso e escuro dos obstáculos separando os homens de Deus.
Reino dos maus
Ser bom ficará mais e mais difícil, pois a bondade foi inventada para servir de teste domesticador. Termômetros da justiça, só os divinos! Na terra, são os homens contra os sentimentos.
28 de dezembro de 2015
10 de dezembro de 2015
5 de dezembro de 2015
estágios iniciais do exorcismo
eu queria só
que ele se matasse
e me deixasse viver
em paz
30 de novembro de 2015
A metáfora de Sócrates
24 de novembro de 2015
Coração
O coração perfurado bombeou a última vitalidade
Morreu de tédio quarenta anos depois
Não conseguia abrir os olhos porque os olhos da alma quem abre é o coração
Mas coração perfurado não tem alma e morre
21 de novembro de 2015
9 de novembro de 2015
Ambiguidade existencial
7 de novembro de 2015
10 de outubro de 2015
Canção de vida e morte
3 de outubro de 2015
1 de outubro de 2015
Por amor ao mundo
29 de setembro de 2015
28 de setembro de 2015
Amor-poema em língua estrangeira
As marcas nas nossas paredes
Na dor, mas não pela dor
Duas paixões do encontro
Parindo adultos
Educação religiosa
Em adição às potências anteriores, não substituição
Novos mundos exigem novas defesas
18 de setembro de 2015
29 de julho de 2015
13 de julho de 2015
12 de julho de 2015
O princípio da educação
Tomar decisões corretas não basta. É preciso criar sistemas que tomem decisões cada vez mais corretas com o tempo.
25 de junho de 2015
Entre o grito de dor do porco e o tremor de anúncio da tempestade
Algumas ansiedades são de violino; outras, de gongo.
16 de junho de 2015
Previsão dos tempos
A raiva bem gritada é virtuosa. Esvai-se, como tudo o mais que é vivo e pulsante, ao atingir seu fim. A raiva, como o gozo, só adoece quando contida — e mal contida. Pois para a vida nunca há contenção de fato, apenas adoecimento. O não direcionamento da raiva é antes um mal direcionamento. A raiva não gritada é antes mal gritada. E a tragédia é termos sido, para a raiva, educados nos mais castrantes seminários! De nosso celibato cavernoso medram nuvens de cinismo! Para expôr ao sol o coração, é preciso abrir o peito — rasgá-lo! — e aí não temos senão dentes e garras.
Casamento (arranjado) de conceitos
Para os que, como nós, sofrem de ansiar demais, é questão de bom senso cultivar uma modesta indiferença às nossas ansiedades.
15 de junho de 2015
É possível ser feliz na chuva?
Sim, mas para isso é preciso abrir mão da secura. Recomenda-se, para acelerar a adaptação, banhar-se de poesia.
Saudável (no) ócio
Às vezes é preciso amar antes da hora. Amar o que não se conhece, o que ainda não veio, o que pra sempre está no futuro. Para isso é preciso muita força e saúde. Mas a recompensa é grande: o próprio amor. Porque o amor sempre volta.
8 de junho de 2015
4 de junho de 2015
Navegar é preciso, desprazer não é preciso
É fundamental ter mecanismos para tirar prazer da tristeza e da solidão.
3 de junho de 2015
Todos os nãos o não
O dia mais triste da minha vida foi quando me despedi do meu amor... e não chorei.